19 de janeiro 2018

Viajantes com causa

Bruna Tiussu4
19 janeiro 2018

Viajantes com causa

Casal dá um tempo na carreira para fazer trabalho voluntário na África por oito meses
Texto por: Julliane Silveira

A jornalista Bruna Tiussu, 32, alimentava havia dez anos o sonho de fazer trabalho voluntário. Tudo começou quando morava na Espanha e conheceu um homem que tinha passado por essa experiência duas vezes. “Desde então, sempre pensei que iria parar um tempo para dedicar um pouco da minha vida a quem precisa. E, para mim, só fazia sentido ser na África, porque eu tenho fissura com o continente desde quando era pequena”, conta.

Quando foi demitida, no início do ano passado, 2017, Bruna decidiu que era hora de concretizar os planos. O marido, Eduardo Asta, 43, comprou a ideia e também deixou o emprego.

Se África já era o continente escolhido, seria preciso decidir os projetos para os quais iriam se voluntariar. Ambos pesquisaram no site Work Away propostas e instituições que precisavam de ajuda. Por meio da plataforma, é possível contatar diretamente os responsáveis pelo trabalho e entender a necessidade de cada uma das organizações. “Sempre pensei que, por ser jornalista e meu marido, designer, poderíamos atuar na área de educação, então fomos por esse caminho”, diz Bruna.

O casal quatro projetos em três países – Gana, Uganda e Tanzânia – que seriam visitados nesta ordem de julho de 2017 a março de 2018. “Sabíamos que poderíamos ensinar inglês, bolar atividades artísticas, porque o Eduardo desenha superbem e também está envolvido com produção de vídeo, além de ajudar no marketing dos projetos”, conta Bruna.

Ambos embarcaram para Gana em julho, onde ficaram até o final de setembro como voluntários da escola Furman Fundation, em Kumasi, na região central do país. “Gana me fez reavaliar meus limites e valores. Fez-me, sobretudo, dar ainda mais atenção a princípios tão caros aos dias de hoje, como os de comunidade e de desenvolvimento sustentável”, escreveu Bruna no blog Viajantes com Causa, onde divide a experiência do voluntariado com a jornalista Camila Anauate, que é voluntária de projetos para refugiados na Jordânia.

Bruna Tiussu 

O trabalho também traz dúvidas e indagações. “Tem sempre uma pergunta que não quer calar: será que estou de fato ajudando? Mas o lance de lidar com crianças traz um retorno que dá paz no coração, qualquer coisa diferente que você traz para uma criança é como colocar uma semente que possa dar algum fruto”, reflete.

O choque cultural também é grande e nem sempre é possível mexer nas estruturas locais, ainda que pareça necessário. “A gente até tenta ajudar a escola em si, mas é outra forma de pensar e fica um pouco complicado fazer de nosso jeito, não dá certo. Mas, se a gente foca nas crianças, na educação e na troca de experiências, para eles saberem que existe algo além daquele lugar, é uma experiência muito bacana e enriquecedora para os dois lados”, avalia.