03 de julho 2017

Trabalho com sentido

trabalho com sentido (1)
03 julho 2017

Trabalho com sentido

Plataforma de vagas de emprego conecta pessoas e empresas de acordo com seus valores
Texto por: Livia Deodato

Já pensou se fosse possível escolher onde trabalhar de acordo com os próprios valores? Se honestidade, ética e comprometimento fossem levados em consideração tanto quanto experiência e diplomas?

Isso já é possível e está se tornando um método de avaliação de qualidade, que vem agradando candidatos e contratantes. Assim como nos aplicativos em que as pessoas buscam por um par ideal, a plataforma Pin People tem investido na ideia de conectar pessoas a seus empregos dos sonhos.

O mais interessante nesse processo é dar autonomia aos candidatos para que eles também se apresentem às empresas que estão de acordo com aquilo em que acreditam. Para os criadores da plataforma, não existe lugar bom ou ruim para trabalhar, mas sim um encaixe de expectativas, perfil e objetivos de curto, médio e longo prazo.

CEO e co-fundadora da Pin People, Isabella Botelho teve a ideia de mudar essa perspectiva quando se deu conta da quantidade de amigos que estavam insatisfeitos com seus trabalhos. “Existia ali uma oportunidade clara de entender melhor os desafios ligados aos processos de seleção e retenção das empresas. Após estudar profundamente o mercado de recrutamento e seleção ficou nítida a oportunidade de levar inovação para essa área”, diz a administradora e especialista em RH.

Imagem dos valores envolvidos

A plataforma se baseia em inteligência artificial para cruzar e monitorar dados dos candidatos e das empresas, com o objetivo de melhorar o clima no ambiente de trabalho, a qualidade de vida, a produtividade e a retenção de talentos.

“A Pin People tira uma ‘fotografia’ do ‘jeito de ser’ do candidato, isto é, identifica, diante das experiências profissionais que ele já teve, do que ele gostou, qual o seu momento de vida, quais os valores que ele admira”, conta Isabella. “Além disso, entendemos o tipo de ambiente com o qual ele melhor se adapta, usando como base o modelo ‘Competing Values Framework’ (CVF), de Kim Cameron e Robert Quinn. Essa informação é cruzada com o ‘jeito de ser’ vivenciado da área contratante.”

Todos que se inscrevem na Pin People são convidados a preencher um questionário, que vai definir o jeito de ser. Nesse primeiro momento, os candidatos não pagam nada, recebem sua avaliação e disponibilizam o jeito de ser para as empresas cadastradas. As empresas, por sua vez, têm de pagar para usar o serviço.

A partir dessas avaliações em torno de diversos aspectos culturais, estilo de trabalho, ambiente, remuneração, momento de vida e desejos para o futuro profissional, as combinações acontecem.

Segundo Isabella, mais de 50 mil candidatos já passaram pela ferramenta e se candidataram para centenas de vagas. O questionário está aberto no site para qualquer pessoa interessada em se conhecer melhor. “Não fazemos nenhum tipo de apresentação formal dos candidatos às empresas, e sim disponibilizamos o que chamamos de uma base de candidatos com alta compatibilidade às empresas clientes da Pin People”, conta.

Uma das maiores dificuldades na opinião da CEO é a falta de transparência entre ambos os lados. “Todos vestem máscaras, tanto na entrevista quanto na relação colaborador-empregador. Entendo que trazer mais transparência entre essas duas partes não é algo simples”, afirma. “Conquistar essa mudança exige uma mudança na forma como as empresas gerem suas pessoas, que são os seus maiores ativos. Acredito profundamente que as empresas que não colocarem as pessoas em primeiro lugar têm grande chance de não existirem num futuro próximo!”