24 de novembro 2017

Quando somos quem queremos ser?

Quando somos quem queremos ser
24 novembro 2017

Quando somos quem queremos ser?

Documentário sugere novas ferramentas para entender um mundo volátil e complexo
Texto por: Julliane Silveira

Vivemos em um mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo. Para qualquer lado que olhamos, percebemos que a sociedade está em crise. Estamos em um momento em que são questionados valores, identidade e até mesmo os pilares onde cada pessoa se apoia –  as formas de constituir família, as possibilidades de trabalho, a construção dos relacionamentos, entre outros. Quando esses pilares aparentemente tão sólidos vão abaixo, encontrar uma nova perspectiva só é possível com a criação de novas ideias, de novas ferramentas para se apoiar, de novas referências e de novas maneiras de entender o mundo.

Diante desse cenário, nós nos unimos às marcas Natura e Itaú para pensar com elas sobre o tempo presente, as pessoas e essas inquietações, que são comuns a todos nós. Por uma iniciativa do Canal GNT  e com idealização e produção do coletivo Asas, profissionais de Molico e dessas quatro empresas se reuniram por três dias no Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), onde fica o maior acervo de arte a céu aberto da América Latina. Durante alguns dias, todos nós refletimos sobre o desejo por um mundo mais equilibrado e contamos com a ajuda de especialistas. São essas indagações e reflexões que dão cara ao documentário “Quando Somos Quem Queremos Ser?”, que será exibido no canal no dia 3 de dezembro, à 0h30.

A partir da pergunta que dá título ao filme, nós fomos convidados a refletir e compartilhar nossas experiências, por meio de dados de pesquisa de mercado e de projetos que já desenvolvemos.


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A constatação de que quase nunca paramos para pensar em como o planeta vai se sustentar no futuro instigou todos os participantes da imersão em Inhotim. A forma como passamos a viver nas últimas décadas dá sinais claros de falência. O ser humano passa o tempo de maneira reativa, apenas absorvendo um estilo de vida que tem lhe feito muito mal. De um lado, os recursos naturais se tornam mais escassos; do outro, os seres humanos sofrem de estresse crônico, transtornos de ansiedade e tantos outros males relacionados a uma rotina frenética e sem sentido.

“Em um mundo em crise, é preciso buscar outras respostas, porque as que a gente tem já não servem mais”, diz Paula Trabulsi, fundadora do Asas.

Maturidade, empatia, futurismo

Enquanto apenas reagirmos ao compasso imposto pela sociedade atual, pouca coisa vai mudar. É preciso entender as transformações desse mundo, adaptar-se a elas e usá-las a nosso favor. O filme mostra três aspectos fundamentais para que algo novo aconteça, que foram os pontos centrais de nossas conversas em Inhotim.

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A primeira mudança diz respeito à maturidade: as pessoas estão envelhecendo e a proporção de idosos no planeta só cresce. Especialmente no Brasil, teremos 30% da população com mais de 60 anos em 2050, como enfatiza o médico Alexandre Kalache, um dos maiores especialistas em longevidade do mundo. O encontro em Inhotim nos mostrou que precisamos viver em um lugar que acolha um ser humano mais velho, que ainda deseja produzir, ser ouvido e se manter integrado. “A cada ano, ficamos três meses mais longevos do que a geração de nossos pais”, lembra Paula.

Os idosos precisam ser ativos e produtivos não só para satisfação pessoal como também para garantir a sustentabilidade do planeta. Afinal, nenhum país do mundo vai dar conta de cuidar de tantas pessoas mais velhas. Mas a reinvenção da terceira idade ultrapassa os aspectos socioeconômicos: é preciso que pessoas nessa faixa etária consigam enxergar sentido na vida a longo prazo.

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É exatamente nesse ponto que entra a empatia, o segundo fator levantado pelo nosso grupo, que é capaz de nos auxiliar a passar por essas transformações. Somente acolhendo diferenças e se colocando no lugar do outro é que conseguiremos unir forças e tirar proveito da sociedade em rede. “Empatia era uma palavra em desuso e passa a ser protagonista em uma era do coletivo e do compartilhável. O outro passa a ter uma importância enorme nesse contexto”, analisa Paula. Para conduzir essa reflexão, contamos com o economista Oswaldo Oliveira, fundador da Organização Próspera.

Percebemos também que não dá para pensar em um mundo melhor sem falar do futuro. Estudar o futurismo é fundamental para enfrentar as mudanças de um jeito menos angustiante. Com a ajuda da futurista Lala Deheinzelin, conseguimos entender que nossa educação precisa deixar de ser feita com base apenas no passado. Precisamos compreender melhor o futuro para aproveitá-lo de maneira mais plena, sem medo do que virá pela frente.

O Valor do Feminino

Essas reflexões já são prioridade para nós há algum tempo. O projeto O Valor do Feminino, criado em 2016, surge da necessidade de resgatar valores humanos essenciais para passar bem pelas transformações do mundo e esperar um futuro mais sustentável e equilibrado. Em maior ou menor intensidade, os 12 valores escolhidos por nós são muito importantes para falar de maturidade, empatia e futurismo: acolher, acreditar, amparar, compreender, cuidar, escutar, inspirar, integrar, humanizar, sensibilizar, ponderar e reunir.

Na série Humanidade em Mim, de 2016, esses valores aparecem em diversos personagens que mostram vidas com sentido e que nos ajudam a formular respostas à pergunta-chave do documentário.

Na série Humanidade em Nós, lançada neste ano, a interdependência surge como uma versão ampliada da empatia, em histórias que mostram como esses valores ganham força quando são exercidos em conjunto e quando um é capaz de compreender e se colocar no lugar do outro. Que um depende do outro para, de fato, transformar o mundo e acolher as mudanças que surgem pelo caminho.

Confira o trailer de "Quando Somos Quem Queremos Ser?".