15 de setembro 2017

Quando os pais envelhecem

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15 setembro 2017

Quando os pais envelhecem

Deixar um idoso querido em uma casa de repouso não significa abandono nem culpa
Texto por: Julliane Silveira

Poucas coisas na vida são tão dolorosas quanto ver o envelhecimento de familiares amados. E chega um momento em que é preciso decidir por montar uma estrutura de cuidados em casa ou por uma casa de repouso, onde o idoso receberá atendimento de acordo com suas necessidades.

“Existe muito preconceito sobre a institucionalização de pessoas idosas e isso deve ser superado”, diz o geriatra Norton Sayeg, médico responsável na Sociedade Beneficente Alemã, em São Paulo.

Quando o idoso não pode mais ficar sozinho em casa, cada família tem um jeito único de encarar a situação e encontra uma dinâmica própria. Para definir como será a rotina, é preciso se perguntar sobre a possibilidade de oferecer serviços adequados ao idoso na residência. É essa resposta que ajudará na melhor decisão e afastará sentimentos de culpa.

“Só amor muitas vezes não adianta, porque a pessoa mais velha pode precisar de cozinheiro, enfermeiro, médico, fisioterapeuta. Um filho não é treinado para isso e, em muitos casos, não tem tempo, pois ainda precisa trabalhar até mesmo para sustentar o ente querido”, pondera Norton.

É bom saber que deixar um idoso em uma casa de repouso deixou de significar abandono há muito tempo. “Nas últimas décadas, o padrão de atendimento melhorou muito, há casas e clínicas geriátricas com conforto e acolhimento de altíssimo nível”, afirma Norton.

Para escolher a melhor opção, é preciso considerar o estado de saúde do paciente e as condições financeiras da família. O custo pode variar de R$ 2.000 a R$ 40.000 por mês, dependendo dos serviços que serão oferecidos ao hóspede.

Há clínicas com serviço médico completo, que recebem pacientes com problemas graves de saúde, até mesmo em unidades de tratamento intensivo. Outras propostas visam mais conforto e acolhimento e nada remetem às tristes imagens dos asilos do passado. Atividades lúdicas, bailes e terapias são realizados de forma leve e alegre para os hóspedes, que podem receber visitas o tempo todo.

Conheça as principais modalidades de abrigo para idosos no Brasil

Day care: São instituições que oferecem diversas atividades e terapias em horário comercial, voltadas para idosos que não podem ficar sozinhos por muito tempo por causa de problemas de saúde ou de cognição, mas que podem dormir em sua residência. É uma alternativa também para incentivar o convívio social.

Residencial: Pode ser chamado também de casa de repouso ou de lar para idosos. São espaços com estrutura completa para o idoso – é possível, por exemplo, viver em casa ou apartamento individual com mobília trazida pelo hóspede. Os residenciais oferecem atividades e terapias, contam com diferentes profissionais de saúde em tempo integral e podem receber pessoas com diversos graus de dependência.

Green house: Conceito que nasceu nos Estados Unidos e começa a aparecer no Brasil. As green houses mais se parecem com uma pousada do que com uma casa para idosos. Há áreas comuns, como salas de leitura e a cozinha, onde cuidadores preparam a comida enquanto conversam com os hóspedes. Assistentes de enfermagem prestam ajuda sempre que necessário e tendem a respeitar mais a rotina do idoso, sem horários rígidos para as atividades.

Clínica geriátrica: Indicada para idosos com grau de dependência elevado. Oferece serviços médicos de alta complexidade, como UTI.