03 de janeiro 2018

PretaLab

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03 janeiro 2018

PretaLab

Projeto visa ampliar o espaço e representatividade de mulheres negras e indígenas na ciência e tecnologia
Texto por: Julliane Silveira

Quantas mulheres negras e indígenas fazem parte de projetos de ciência e tecnologia no Brasil e no mundo? A resposta parece difícil, porque pouco se fala delas. Das 19 mulheres citadas na história científica no Brasil pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), nenhuma é negra; apenas 10 mulheres negras se formaram na Escola Politécnica da USP em 120 anos e 4% é o percentual de negras entre as fundadoras de startups de tecnologia comandadas por mulheres nos EUA.

Esses dados foram levantados pela Olabi Makerspace, uma organização social criada para democratizar a produção de tecnologia, em busca de um mundo socialmente mais justo. A partir dessa constatação, a entidade percebeu que era preciso fazer algo para reduzir as desigualdades também no universo da ciência e tecnologia.

É daí que surge a PretaLab, uma iniciativa da Olabi que tem apoio da Fundação Ford e visa ampliar o espaço e representatividade de mulheres negras e indígenas. A proposta é fazer um levantamento, coletar histórias e desafios e tornar visíveis as trajetórias dessas profissionais, estimulando outras mulheres a também considerar esse universo de trabalho como uma possibilidade real.

Por meio de um questionário aberto, a organização vai mapear meninas negras e indígenas que atuam em tecnologia. Para a Olabi, no entanto, o termo vai além da programação e das engenharias: a ideia é falar também com youtubers, blogueiras, artesãs, gestoras de produtos de tecnologia e outras funções que nem sequer ganharam nome ainda, mas que estão conectadas ao desenvolvimento tecnológico de alguma forma.

Dificuldades

Por que é difícil encontrar negras e indígenas nesse mercado? Como se sabe, negros e indígenas no Brasil enfrenta sérias dificuldades econômicas sociais, que são barreiras para que cheguem ao campo da ciência e da tecnologia. Isso é claro no estudo formal e de línguas. Há também questões de machismo e racismo, que dificultam as oportunidades para essas mulheres.

A falta de referências para novos estudantes também é um fator que desmotiva a chegadas de mulheres nesse campo. É aí que o mapeamento ganha maior sentido: entender onde estão e o que fazem essas mulheres é descobrir as demandas e os interesses dela no mundo. Com isso, é possível criar oportunidades para novos trabalhos e oferecer novas perspectivas para o mundo profissional dessas pessoas.

Para dar mais vazão a essas informações e ampliar o debate, a Olabi ainda está fazendo uma série de dez vídeos, com as histórias inspiradoras de mulheres negras e indígenas que atuam na área. Além de dar mais espaço a um tipo de informação ainda pouco divulgada, esse trabalho também serve de inspiração e incentivo para outras mulheres abrirem suas histórias e traçar novas trajetórias profissionais.