19 de julho 2017

Perennials

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19 julho 2017

Perennials

Um conceito novo para entender diferenças e semelhanças entre gerações
Texto por: Livia Deodato

O conceito de perennials é muito recente. Foi criado e difundido no final do ano passado por Gina Pell, diretora de criação, empreendedora de tecnologia e chefe de conteúdo do The What, em um artigo publicado no site. Ela queria encontrar um termo que definisse traços e comportamentos de um grupo de pessoas sem vinculá-los diretamente a suas datas de nascimento.

Antigamente, a divisão entre gerações era definida a cada 25 anos, o que acabava representando as mudanças no estilo de vida de avós, pais e filhos. A partir do final do século 19, o conceito de geração começou a se relacionar com padrões sociais vinculados à data de nascimento. Hoje, especialistas acreditam que a cada dez anos surge uma nova classe genealógica.

A primeira e única classificação geracional reconhecida pelo laboratório de dados Census Bureau é a dos baby boomers, nascidos entre meados de 1940 e 1965, após a Segunda Guerra, em um período de ascensão do padrão de vida e dos núcleos familiares. São consideradas pessoas que apreciam a estabilidade nas relações e no emprego.

Depois disso, apareceram pelo menos mais três classificações não oficiais, que ainda consideram o período de nascimento como relevante para agrupar características populacionais. A geração X seria a dos filhos dos baby boomers, nascidos entre 1965 e o início dos anos 1980 e identificados pela valorização da busca da liberdade e de suas individualidades.

Em seguida, surgiu a geração Y ou millenials, nascidos entre o final dos anos 1980 até 2005 e fortemente influenciados pelas transformações tecnológicas. Ainda existe uma terceira vertente, a geração Z ou pós-millenials, que abarcaria as crianças nascidas depois de 2005, totalmente plugadas a um mundo digital.

Conectados e sem fronteiras

Os perennials podem ter nascido tanto na década de 1940 como nos anos 2000. A classificação de Gina Pell engloba indivíduos de todas as idades, que sabem o que está acontecendo no mundo, estão atualizados com a tecnologia atual e interagem com pessoas de qualquer faixa etária. Assim como os millenials e os pós-millenials, permanecem curiosos, apaixonados, colaborativos e questionadores, assumindo riscos constantemente em busca de oportunidades melhores.

Para a criadora do conceito, a diferença é que os perennials estão incluídos em um tipo de mentalidade sem demografias excludentes. Gina passou um bom tempo pesquisando como poderia intitular esse grupo. Sua primeira opção foi o apelido relevants, mas foi convencida pelo marido de que essa palavra poderia causar o efeito inverso. Ele sugeriu perennials, com o significado de algo que está sempre florescendo. Ela assumiu o termo.

Considerados emissores com grande apelo, são apontados como capazes de espalhar e comercializar novas ideias mais rapidamente do que qualquer outra geração. Quando os perennials são exemplificados em artigos e pela própria mídia, aparecem exemplos das parcerias de Lady Gaga e Tony Bennett, Beyoncé e Jay-Z e personalidades como Bob Dylan, Michelle Obama, Malala Yousafzai, Mick Jagger, John Oliver, Aziz Ansari ou Weiwei. Pessoas que se conectam e falam para um público diverso em idade, gênero, etnia e classe socioeconômica.

Para que serve a classificação?

Apesar de ser difícil definir em pesquisas pessoas tão diversificadas, algumas celebridades e empresas já conseguiram identificar tendências e comportamentos capazes de satisfazer os perennials.

Por meio da prática de abertura e interação em estudos que levam em consideração dados mais flexíveis, corporações como Amazon, Netflix e Spotify têm obtido êxito, personalizando produtos e serviços e conquistando cada vez mais público.

Embora seja uma nova categoria, a mensagem para o mercado é a de que não se pode encaixotar as pessoas em definições preestabelecidas, que acabam gerando segregação. Cada uma tem sua individualidade, que só será compreendida na medida em que estereótipos geracionais sejam desconstruídos.