02 de janeiro 2018

Olhar à flor da pele

Renato Stockler
02 janeiro 2018

Olhar à flor da pele

Na fotografia de rua ou documental, a sensibilidade do fotógrafo paulistano transborda em registros tocantes
Texto por: Debora Stevaux

Sem fôlego. É assim que qualquer pessoa se sente ao passar os olhos, mesmo que brevemente, pelos registros do fotógrafo paulistano Renato Stockler. Na praia ou no concreto bruto de São Paulo, é a sensibilidade intensa que pauta cada clique do fotojornalista, que atua profissionalmente desde 2002, quando se formou na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Atualmente, seu trabalho visa pesquisar e entender a fotografia de rua contemporânea, atrelando-a às redes sociais, para desenvolver sua linguagem fotográfica.

A imagem de um sofá maltratado pela ação do tempo em um ambiente inóspito poderia ser só uma belíssima foto em preto e branco, se não tivesse legenda: “Você carrega uma vida dentro, peito.” Renato também transparece sua capacidade de olhar através dos objetos e dos seres humanos em suas fotografias documentais, seja pelo ângulo, seja pela conexão com a pessoa fotografada. Ele parece enxergar as narrativas que estão por trás daquele rosto.

Para o fotógrafo, o maior desafio da fotografia documental parte muito da forma como o profissional pensa aquilo que quer fazer. “Qual é a melhor forma de chegar nas pessoas, como você faz uma fotografia partindo do zero. Porque as pessoas estão ali, elas têm suas histórias, suas trajetórias, e o mais interessante é você conseguir descobrir essas histórias partindo de um encontro, de uma conexão que não estava prevista no cosmos. A grande sacada é você conseguir aplicar o seu conhecimento fotográfico e entrelaçar com o seu conhecimento humano.”

Renato também é sócio-fundador da agência de fotografia Na Lata. Em 2013, foi premiado com o 2º lugar do Prêmio Saltando Muros pelos retratos feitos na Ilha do Cardoso, em Cananéia (SP). O prêmio é uma parceria entre o Fondo Iberoamericano de Artes e o Memorial da América Latina.