02 de janeiro 2018

O que é inteligência emocional

Inteligência Emocional
02 janeiro 2018

O que é inteligência emocional

É preciso aprender a desfrutar das coisas boas e superar frustrações
Texto por: Camila Luz

O que faz você feliz? Um bom emprego? Viajar com frequência? Comprar uma casinha no campo? Casar-se? A “receita para a felicidade” é algo muito particular. Mas, para desfrutar das coisas boas e superar as frustrações, todo ser humano precisa desenvolver sua inteligência emocional.

O modo como gerenciamos as emoções – tanto as nossas, quanto as dos outros – pode ter papel determinante na nossa felicidade e sucesso. Inteligência emocional é um conceito criado em 1995 pelo psicólogo americano Daniel Goleman para definir o indivíduo que sabe identificar o que está sentindo. O ser humano pode utilizar essa sabedoria para alcançar os resultados que deseja, viver com mais equilíbrio e ajudar o próximo.

“Emoções como medo, raiva, tristeza, alegria e amor dão movimento para a vida do homem”, diz Rodrigo Fonseca, fundador e presidente da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional (SBie). “Quem sabe lidar com esses sentimentos coloca sua vida em movimento de forma positiva, em vez de engolir as emoções e expressá-las de forma negativa”, completa.

A SBie atende muitos profissionais de sucesso, como juízes, CEOs de empresas e artistas.  “Além de ter uma performance melhor no trabalho, eles procuram uma vida com mais prazer e felicidade, menos ansiedade e estresse”, conta. “Normalmente são pessoas que já alcançaram sucesso, fama, dinheiro, poder e outras coisas que são tradicionalmente vistas como o caminho para uma vida realizada”, afirma

Geralmente, estão em busca de respostas para a própria infelicidade. Por que estão infelizes se são tão privilegiadas? “A pessoa que está deprimida costuma ter medo ou angústia por conta de coisas que viveu no passado. Já o ansioso está com medo do que possivelmente irá viver”, diz Rodrigo. “O deprimido acumula muito medo, raiva e tristeza. Perde o sono, está sempre cansado. Já o ansioso deixa de prestar atenção no presente. O desequilíbrio impede de enxergar tudo isso”, declara.

Expressar as emoções

Para Bruna Legnaioli, especialista emocional e membro da SBie, o ser humano não aprende a desenvolver suas emoções em lugar nenhum: escola, faculdade ou com a família. Desde cedo, aprende que sentir medo é errado e que a tristeza deve ser evitada a todo custo.

“Aprendemos a reprimir nossas emoções e isso gera um acúmulo emocional. Por consequência, temos respostas emocionais muito grandes diante dos acontecimentos. Uma briga com o marido, por exemplo, faz parecer que o casamento está perdido. Uma crítica do chefe é suficiente para se sentir um péssimo profissional”, afirma.

O homem chega a reprimir suas emoções mais do que a mulher, pois o sexo feminino é considerado frágil, enquanto o masculino deve ser forte, resiliente e nunca derramar lágrimas.

Rodrigo esclarece que é preciso educar os indivíduos para expressarem suas emoções. Na opinião do especialista, tudo o que o ser humano faz na vida tem três motivações: amar, ser amado e ser feliz. “As emoções foram reprimidas socialmente a vida inteira. É preciso colocá-las para fora, trabalhá-las e entendê-las”, diz.

A mulher também precisa trabalhar melhor sua inteligência emocional, principalmente em tempos de assumir muitas tarefas e buscar a perfeição. Emocionalmente, ela é mais preparada pela sociedade. Mas acaba sofrendo uma pressão grande para ser autossuficiente, dar conta de tudo e ainda prover apoio emocional para outras pessoas.  Portanto, acaba entrando em desequilíbrio.

Inteligência emocional e carreira

A inteligência emocional também é vista como uma competência importante no mundo profissional. Mesmo diante de frustrações, o indivíduo bem desenvolvido consegue encontrar motivação para seguir em frente. Ele consegue controlar impulsos negativos, canalizar emoções para situações adequadas, praticar a gratidão e encorajar o outro.

São as emoções que conectam ou afastam as pessoas. São elas que permitem o trabalho em grupo e ajudam líderes a inspirar seus seguidores.  “As emoções humanas são determinantes na geração de resultados. Toda empresa tem processos de ‘venda’, internos ou externos. Se você não tem empatia ou percepção sobre o que faz o outro feliz, começa a gerar uma série de barreiras invisíveis”, afirma Rodrigo.

Como desenvolver a inteligência emocional

Antes de tudo, é preciso reconhecer as próprias emoções. É normal sentir medo, insegurança ou ansiedade antes de fazer uma apresentação para um grande público, por exemplo. Assumir que essas sensações existem é o primeiro passo para superá-las.

Em seguida, é preciso entender quais são suas respostas emocionais diante dos acontecimentos. Quando sentem raiva, certas pessoas explodem. Outras engolem tudo. Quem parte para o ataque acaba estragando relações, enquanto quem engole adoece e fica infeliz. Ao identificar essas reações fica mais fácil lidar com elas e evitar que o pior aconteça.

Criar empatia também é muito importante para desenvolver a inteligência emocional. Antes de tirar conclusões, é preciso se colocar no lugar do outro sempre. Isso ajuda a criar relações mais saudáveis e a trabalhar melhor em grupo.

Por fim, o ser humano deve conhecer sua história de vida. Bruna explica que muito do que a criança registra durante a infância determina as ações do futuro. Sua relação com os pais também irá influenciar sua personalidade enquanto adulto. “Trabalhar nossa relação com o feminino significa trabalhar nossa relação com a nossa mãe e com as mulheres da nossa família. O mesmo vale para o masculino. Nossos pais são as maiores referências de feminino e masculino”, esclarece.