31 de julho 2017

O que é colorismo e por que devemos evitá-lo

colorismo
31 julho 2017

O que é colorismo e por que devemos evitá-lo

Termo se refere à discriminação de pessoas por causa da tonalidade da pele
Texto por: Livia Deodato

Colorismo é o termo utilizado quando existe discriminação por causa da cor da pele, muito comum em países que sofreram colonização europeia ou tiveram regimes escravocratas por muito tempo, como é o caso do Brasil. O colorismo é usado para indicar a exclusão e a discriminação que uma pessoa pode sofrer de acordo com a pigmentação da sua pele – quanto mais pigmentada, mais preconceito ela vai sofrer.

O colorismo se difere do racismo, pois não é o tipo de preconceito orientado pela raça, mas sim pela cor da pele da pessoa. Por mais que determinada pessoa se identifique como negra ou afrodescendente, a tonalidade da pele é que vai determinar o tratamento que ela vai receber da sociedade. De acordo com especialistas, o colorismo no Brasil apresenta características peculiares, como a discriminação por causa de aspectos fenotípicos, isto é, apresentar traços que a nossa cultura associa à descendência africana: nariz largo, cabelo crespo etc.

O termo colorismo foi usado pela primeira vez pela escritora e ativista negra Alice Walker (autora de “A Cor Púrpura”) no ensaio “If the present looks like the past, what does the future look like?” (Se o presente se parece com o passado, como será que o futuro vai se apresentar?, em tradução livre), publicado em 1982. Ela apresenta essa ideia de que, quanto mais clara for a pele de uma pessoa, mais privilégios serão reservados a ela.

“Mesmo ela sendo identificada como negra pela sociedade racista, o que significaria que ela não poderia desfrutar dos mesmos direitos que uma pessoa branca, ainda assim é mais agradável aos olhos da branquitude e deve/pode por isso ser ‘tolerada’ em seu meio”, escreve Aline Djokic no site Blogueiras Negras.

O mal que o colorismo faz e como podemos superá-lo

O jornal inglês The Guardian fez um documentário curto em torno da história de Nayara Justino, que havia sido selecionada para ser a Globeleza em 2013, mas após diversos ataques por ser “preta demais”, acabou sendo substituída por outra mulher negra, porém com traços mais finos e a pele mais clara, chamada Erika Moura. Esse foi um dos casos de maior repercussão pública no país em torno do colorismo.

As ativistas Stephanie Ribeiro e Djamila Ribeiro escreveram um manifesto por causa da questão em que trazem até mesmo a origem da palavra mulata. “A palavra de origem espanhola vem de 'mula' ou 'mulo': aquilo que é híbrido, originário do cruzamento entre espécies. Mulas são animais nascidos do cruzamento dos jumentos com éguas ou dos cavalos com jumentas. Em outra acepção, são resultado da cópula de uma espécie animal considerada nobre (Equus caballus) com uma espécie considerada de segunda classe (Equus africanus asinus). Sendo assim, trata-se de uma palavra pejorativa que indica mestiçagem, impureza. Mistura imprópria que não deveria existir”, afirmam no texto.

Cabe a cada um de nós, principalmente pelo fato de sermos brasileiros e mestiços por natureza, acabar com qualquer resquício de preconceito, seja por racismo, seja por colorismo. Buscar conhecimento sobre a origem dos termos e das expressões, repensar todas as ações, não se omitir diante de atitudes segregacionistas e estabelecer vínculos genuínos, independentemente da cor da pele, estimulam uma vida mais justa e humana, que valoriza os valores femininos.