18 de outubro 2017

O Mínimo para Viver

o minimo para viver
18 outubro 2017

O Mínimo para Viver

Produção assinada pela Netflix trata distúrbios alimentares de forma real e responsável
Texto por: Debora Stevaux

Uma pesquisa recente realizada pela Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo revelou que 77% das jovens, com faixa etária entre 10 e 24 anos, têm propensão a desenvolver algum tipo de distúrbio alimentar - bulimia, anorexia ou compulsão alimentar.

Se identificar o distúrbio alimentar já é uma tarefa extremamente difícil, imagine abordar esse assunto? A indústria audiovisual vem tentado falar do tema, mas é alvo constante de críticas. A mais comum sobre filmes e séries sobre distúrbios alimentares é o excesso de romantização e a falta de reflexão. Algumas produções, mesmo aquelas destinadas ao público juvenil, retratam uma visão distorcida de problemas de saúde que podem levar à morte.

O filme “To The Bone”, lançado em julho no Brasil, é um ponto fora da curva. Aqui, o título da película dirigida por Marti Noxon foi traduzido como “O Mínimo Para Viver”. A Netflix assina a produção do filme que retrata de forma bem humana e realista a história de Ellen. Em pouco mais de uma hora e meia, o filme mostra a trajetória de uma jovem de 20 anos, interpretada pela britânica Lily Collins, que já perdeu as contas de quantas vezes foi internada por ter desenvolvido anorexia nervosa.
Conheça algumas ideias centrais do filme.

Sobre a importância do apoio familiar

Um dos temas fundamentais abordados durante o filme, é, certamente, a importância do apoio familiar para pessoas que enfrentam um distúrbio alimentar. A narrativa reforça os laços entre Ellen e sua irmã, Kelly, interpretada por Liana Liberato. A relação de parceria e sinceridade entre as duas fica bem clara com uma das falas da personagem, que diz em tom cômico: “Se você morrer por isso, eu te mato.”

Outros integrantes da família de Ellen parecem não entender a gravidade da situação e, por isso, têm dificuldade para se aproximar da garota. O filme mostra bem como palavras rudes pode surtir um efeito negativo na paciente. Frases como “Olhe para você, você acha bonito?”, caem como uma bigorna na cabeça da garota que enfrenta problemas de autoestima e aceitação do próprio corpo. Esses questionamentos só pioram a situação.

Convívio com iguais pode ser positivo

Ellen é uma garota que já passou por várias internações, sem sucesso. Mas encontrar pessoas que também sofrem de distúrbios semelhantes pode ajudar no tratamento. No filme, uma clínica serve de cenário para embates e conflitos entre os personagens. Todos com saldo positivo, porque cada paciente consegue enxergar suas reais necessidades, os desafios e como podem fazer para alcançar um objetivo comum.

Uma das tramas que são apresentadas no filme é o romance entre Ellen e Luke, um ex-dançarino que também desenvolveu anorexia. Com isso, a produção mostra que o problema não é exclusivamente feminino, embora mulheres tenham mais chances de desenvolver distúrbios alimentares, segundo estudos.

A importância do tratamento adequado para distúrbios alimentares

Um dos personagens secundários mais marcantes no filme é William Beckham, interpretado por Keanu Reeves. É o médico responsável pela clínica onde a maior parte da história se passa.

William entende as particularidades de cada paciente e busca analisá-las para sugerir um tratamento realmente efetivo. No caso da protagonista, a terapia familiar, tida com uma das principais estratégias, não foi bem sucedida. Então, o médico busca encontrar outras alternativas para o caso de Ellen. Além de sua sinceridade, que vai contra o discurso da maioria dos especialistas nessa área, o tratamento individual e humanizado são fatores importantes para que os pacientes alcancem o sucesso e entendam que precisam se engajar totalmente no tratamento. “Não é para ser 'magro o bastante', isso não existe. O que vocês querem é uma anestesia para aquilo que não querem sentir”, é uma das máximas mais marcantes de William.