01 de julho 2017

O futuro pede: avancemos de coração aberto!

O futuro pode: avancemos de coração aberto
01 julho 2017

O futuro pede: avancemos de coração aberto!

Razão x emoção, corpo x mente, força x leveza, masculino x feminino... A visão binária das coisas está perdendo força.
Texto por: Redação o Valor do Feminino

 

No final de 2015, o Studio Ideias recebeu a missão de pensar junto com MOLICO® sobre como reforçar sua conexão com as mulheres, levando em conta a turbulência de nossa época, marcada por crises de várias ordens e em vários lugares.

Conversando com mulheres e mergulhando em estudos acadêmicos ligados ao universo feminino, constatamos que, paradoxalmente, no momento histórico em que mais contamos com recursos tecnológicos para simplificar a vida, mais falta tempo e estado de espírito para ser e se sentir leve e livre. Essa falta se tornou particularmente evidente em 2015, ano que pode ser considerado a "Primavera Feminista" no Brasil quando a agenda feminina viu o coro de suas manifestações se ampliar.

As mulheres questionam os rígidos padrões de beleza, discutem abertamente as duras faces da maternidade (afinal, nem só de poesia vive uma mãe), contestam as diferenças impostas pelo mercado de trabalho e denunciam, em campanhas que ganharam as ruas e as redes, um histórico e silencioso abuso de gênero dirigido ao corpo feminino.

Isso é resultado da diferença entre ocuparem cada vez mais espaços sociais mas não terem suas reais necessidades representadas. Definitivamente, a primavera das mulheres não é feita de flores.

Por muito tempo as mulheres tem sido tratadas como cidadãos de segunda classe. Quando deixaram o lar para entrar no mercado de trabalho, as mulheres encontraram um mundo regido pelos paradigmas da razão e da performance. Naquele momento, foi preciso negociar para entrar no jogo. Então elas disseram ao marido “você nem vai perceber que eu trabalho” enquanto garantiam ao chefe “você nem vai notar que eu tenho uma casa”. O resultado disso foi a tentativa de fazer tudo-ao-mesmo-tempo-agora. No mercado de trabalho, rapidinho elas entenderam que, sendo aquele o mundo do FAZER, pegava mal SER – e muitas se acostumaram a chorar no banheiro quando a coisa apertava.

SER: cultivar o cuidado, a integração, o acolhimento, a sensibilidade, por exemplo. Valores que o mundo convencionou chamar de femininos e que foram oprimidos na coletividade. Recuperar a potência desses princípios se torna urgente diante dos desafios que temos pela frente. Urbano, globalizado e atravessado pela desigualdade social, o mundo precisa também de mais afeto – a natureza e uma grande parcela de pessoas que vivem à margem da humanidade clamam por cuidados. “Mais amor por favor!”, “Escute seu coração”, já gritam cartazes e pichações espalhados pelos muros das grandes cidades.

E se esses valores ganharam o rótulo de femininos, foi graças ao longo período em que nós, mulheres, atuamos como suas guardiãs. Por muito tempo foi assim: as mulheres cuidavam dos assuntos da intimidade (e eles ficavam guardados em casa) e os homens cuidavam dos assuntos racionais e de interesse geral (que ocupavam as ruas). No entanto, ficou a herança de que enquanto elas são guardiãs dos sentimentos, eles se ocupam “das coisas sérias”.

Sentimento é coisa séria!

Vem daí a ligação evidente entre a dinâmica masculino x feminino e a separação público x privado. Para conquistar cidadania, direito ao voto e participação no mercado de trabalho, as mulheres precisaram brigar e ganhar as ruas. Pois elas estão brigando de novo para que esses valores que durante muitos anos foram da intimidade ganhem expressão coletiva e representatividade.

Ainda não conseguimos construir um mundo em que as potências do masculino e do feminino estejam equilibrados. Hoje nos sentimos todos, homens e mulheres, desempoderados e isso tem a ver com termos nos desacostumado a acessar aquilo que é da ordem do SER – os tais valores da intimidade. A revolução por meio de valores tradicionalmente associados ao feminino propõe colocar mais SER em nosso FAZER.

Razão x emoção, corpo x mente, força x leveza, masculino x feminino... A visão binária das coisas está perdendo força. É preciso por um E onde antes havia um OU: masculino e feminino. Esse projeto nos mostrou que há novas propostas em curso: que se construa interdependência onde antes se buscava independência. Que a realização seja tão ou mais importante que o sucesso. Que a busca por respostas únicas e definitivas dê lugar à convivência harmoniosa entre múltiplas e variadas opções. Que o poder seja exercido coletivamente e não mais imposto de cima para baixo.

A mudança já está em curso e o caminho é sem volta. Avancemos com o coração aberto!

Sobre a autora:
Camila Holpert acredita que quando o assunto é gente, sempre há mais de uma resposta. Apaixonada pelas ciências humanas estudou comunicação, ciências sociais e semiótica-psicanalítica e de forma auto-didata, também passeou pela história, psicologia, filosofia... Depois de atuar com planejamento estratégico em agências de publicidade (DM9DDB, Ogilvy, Bates) lançou em 2005 o Studio Ideias, um laboratório de inovação em conhecimento, motivada pelo desejo de humanizar as marcas.