01 de julho 2017

O feminino em todos nós

feminino
01 julho 2017

O feminino em todos nós

O feminino procura preencher-se de amor e, por isso mesmo, é o nosso lado que se deleita nas relações.
Texto por: Redação o Valor do Feminino

Um dos conceitos mais libertadores para minha vida surgiu a partir de um acidente de percurso. Há quatro anos, eu andava buscando entender o que era ser mulher. Passava por uma certa crise, querendo me (re)conhecer, me refazer a partir de um novo olhar e quem sabe também revisitar minhas relações. E, para piorar, eu tinha pressa. Tinha cansado de mim, precisava de um update no sistema ou ia dar uma bugada geral mesmo.

A busca resultou no périplo habitual de quem quer se autodesenvolver; terapia, análise, desenvolvimento espiritual. Foi muito rico. Mas o que valeu mesmo a pena e que quero compartilhar com as pessoas é o que aprendi: que ser mulher e ser homem é algo que se constrói. Essa plasticidade pode ser desenvolvida por meio de algo que todos nós temos, e que é de fácil alcance: as nossas próprias energias masculina e feminina. E essa energia a que me refiro não tem nada de místico. É literalmente a força condutora de nossas ações, nossos impulsos.

Independente de orientação sexual, gênero, escolha política e sexo, todos temos esses dois lados. Como se caracterizam essas energias? A resposta é até certo ponto intuitiva. O nosso aspecto masculino é aquele que nos leva à concretização. É a energia do fazer, do empreender, do abrir mundos, explorar novos caminhos, seguir adiante. O masculino em nós é o que foca, que não se altera e vai em busca de um objetivo. Por isso mesmo, é o nosso aspecto que pede propósito e missão de vida.

Agora, você já se perguntou por quê? Porque é assim que encontra o seu graal: a liberdade. O masculino faz o que faz porque quer ser livre. Finalizar um projeto, atingir um determinado degrau, focar num projeto, ganhar uma competição, enfim, são os meios para tal objetivo.

Já o feminino em nós é o aspecto que inclui, que acolhe, que colabora, que cuida, que nutre, que cria e transforma. É o que permite fluir na vida, sermos criativos e inclusivos. É o intuitivo, multidirecional e desfocado, que muda sempre - em oposição ao masculino, que é estável, racional e linear. É por meio dessa energia que exercemos nossa criatividade, pois o feminino é a força da criação em si.

O feminino procura preencher-se de amor e, por isso mesmo, é o nosso lado que se deleita nas relações, o meio pelo qual pode dar e receber amor.

Então, se de um lado o masculino se deleita no esvaziamento, pois lhe traz liberdade, do outro, a energia feminina procura preencher-se de amor, encontrando seu paraíso (e fonte de suas dores) nas relações. Fim e Começo. Concretização e Criatividade. Morte e Vida. Assim, assimétrico e complementar, como no símbolo taoista do Yin e Yang.

Sem dúvida vivemos ainda em um mundo masculinizado. Mas isto está mudando. Há um movimento iniciando uma bela trajetória em direção ao feminino. Vejo homens questionando sua masculinidade tóxica – sim, em excesso ela pode ser tóxica, porque nutre a exclusão, a violência. Vejo homens buscando recriar seu lugar no mundo, assumindo novos papeis na família e podendo, ainda que timidamente, colocar suas emoções para fora. Observo um convite para uma economia que pede relações em rede, mais colaborativas, inclusivas e pautadas na abundância, em contraponto às estruturas hierárquicas, baseadas na escassez e com foco apenas em resultado econômico. Alguns exemplos já existem, como o Uber, que nasceu já com a cabeça na cultura do “não é só meu”, e usa o carro, algo antes visto como bem individual e individualista, como ferramenta para geração de renda e ampliação das possibilidades de transporte público. E o que dizer sobre o UberPool? É a total confiança na abundância.

A beleza do trabalho com as energias, como venho observando em minha prática profissional, é que elas podem ser desenvolvidas se assim desejarmos. Podemos ser mais femininos, e também podemos ser mais masculinos, e uma coisa não elimina a outra. O primeiro passo é, independentemente de você ser homem ou mulher, entender qual a sua essência energética e ir por meio da ação consciente, desenvolvendo e dando espaço para que as energias masculinas e femininas ganhem corpo. O segundo passo é se dar conta de que o mundo em que vivemos é resultado da soma de nós todos. Então, pergunto: em que mundo você quer viver? E o que pode fazer para que ele se concretize?

Como comentei em minha palestra no TEDxSãoPaulo deste ano, intitulada Vamos falar sobre os Homens, imagine se tivéssemos, neste mundo em que os homens masculinos ainda mandam, uns 10% a mais de energia feminina. Que mundo seria este, senão mais inclusivo, empático e sustentável? Ainda há um longo caminho pela frente, mas ele começa aí, com você e comigo refletindo e, mais importante, podendo ser quem somos, na essência, independentemente de rótulos.

 

Sobre a autora:
Karinna Forlenza é palestrante, coach e autora do livro Propósito - 20 dicas para criar o seu. Trabalha ajudando pessoas a tornarem a vida pessoal e profissional mais leves, compreendendo a si mesmas, libertando-se de amarras que as impedem de serem plenas e construir boas relações com o outro. Pesquisa, desde 2012, o tema Energias Masculina e Feminina a partir da visão das Polaridades Energéticas. É formada em administração pela FAAP, com especializações na área de business na Europa e em Coaching Ontológico pela Newfield, do Dr Rafael Echeverria. Formada em Biologia Cultural com Humberto Maturana e professora Certificada em Polaridades Masculina e Feminina por Michaela Boehm. Foi executiva em instituições como Vivo, Rogatis Family, Instituto Ethos e Lloyd Bank.