24 de novembro 2017

Nós não somos nossas emoções

emocoes (1)
24 novembro 2017

Nós não somos nossas emoções

Podemos parar um pouco antes de responder a qualquer estímulo e escolher onde colocar nossa atenção
Sobre o autor: Nathalia Roberto

Sócia da Kind, empresa que já reuniu mais de 2000 mulheres. Estuda budismo desde de 2015, é professora formada pelo programa CEB (Cultivating Emotional Balance), é interessada no silêncio e em investigar o mundo interno para ajudar mulheres a cultivar mais liberdade.

Texto por: Nathalia Roberto

Sócia da Kind, empresa que já reuniu mais de 2000 mulheres. Estuda budismo desde de 2015, é professora formada pelo programa CEB (Cultivating Emotional Balance), é interessada no silêncio e em investigar o mundo interno para ajudar mulheres a cultivar mais liberdade.

Ainda não conheci ninguém que não esteja interessado em cultivar uma relação mais equilibrada com as emoções. Quando buscamos um trabalho novo, tentamos uma conversa para melhorar a relação, mandamos uma mensagem no WhatsApp, tomamos café, compramos uma passagem de férias, deitamos no divã, comemos brigadeiro, sentamos em silêncio.... Todos nós, ainda que confusos, em todos os movimentos, desejamos o bem-estar.

Mas, muitas vezes, procuramos isso no lugar errado. Buscamos esta satisfação em coisas externas, vamos seguindo intermináveis impulsos na esperança de organizar a vida e acalmar o coração.

Temos uma ideia muito romântica da felicidade. Sonhamos com um dia em que vamos, de fato, chegar a algum lugar. Estamos sempre no modo operante de fazer: incessantemente tentando organizar as coisas externamente para estabelecer o mínimo de equilíbrio emocional. Apostamos nossas fichas no trabalho, nas relações, naquele projeto novo, nos filhos... E construímos, de novo e de novo, nossas casas em terrenos muito incertos. Um processo exaustivo!

Além de exaustivo, arriscado. É maravilhoso que possamos construir coisas e nos deliciar com prazeres e experiências que venham de fora, daquilo que recebemos do mundo. Mas, na maioria das vezes, esquecemos de considerar a única certeza que podemos ter sobre elas: não existem garantias.

“Nós deveríamos tomar refúgio na nossa própria consciência, cultivar um espaço interno para onde podemos voltar, relaxar e encontrar equilíbrio cognitivo para escolher, a partir dessa quietude, quais estímulos seguir." Alan Wallace, grande mestre budista, disse algo parecido com isso durante o curso de formação do CEB (Cultivating Emotional Balance).

Sim, as coisas são impermanentes. Mas é possível cultivar uma mente estável, clara, sábia, compassiva. E isso pode nos salvar! Mas vamos precisar nos abrir para o silêncio. Nos ajudar a ganhar a habilidade de continuar fazendo muitas coisas, só que a partir de um estado consciente.  

A emoção vem com cara de raiva, medo, desprezo, alegria... Mas nós não somos isso, elas só passam por nós. Podemos desenvolver uma quietude em meio aos movimentos e escolher onde colocar nossa atenção. Apenas parar um pouco antes de responder a qualquer estímulo que surge de um estado emocional perturbado. Acho que esse é o melhor presente que poderíamos nos dar.

Quando ouvi a fala do Alan Wallace citada acima, senti uma mistura de medo com destemor. Em um primeiro momento, pode ser duro contemplar que não existe chão abaixo de nós. Mas, se nos permitirmos ir um pouco mais fundo, pode brotar felicidade, alívio.

Essa notícia me fez querer parar! Aspirar à possibilidade de cultivar uma mente um pouco mais confiável. De ampliar a nossa visão e abrir espaço para entrada do outro, de verdade. Ganhar a habilidade de observar a dança da vida sem tentar controlá-la. Aprender a dançar, junto com ela. Sem expectativas, sem garantias, sem fixação. E poder descobrir que não somos nossas emoções, uma alegria.