19 de julho 2017

Minimalism

minimalism
19 julho 2017

Minimalism

Documentário mostra que é possível viver bem com pouco
Texto por: Livia Deodato

O documentário “Minimalism”, realizado por Matt D’Avella, acompanha a viagem de divulgação de um livro de Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus sobre o movimento minimalista.

No decorrer do lançamento da publicação, a dupla passa por várias cidades norte-americanas entrevistando outras pessoas que optaram por esse estilo de vida. Assim como eles, todos no filme rejeitaram o ideal do sonho americano de que a aquisição do carro do ano, de um modelo mais novo de celular ou de uma mansão possa trazer felicidade, sucesso e status.

Assim como a maioria dos outros minimalistas mostrados no filme, os amigos Joshua e Ryan vieram do mundo corporativo. Considerados executivos bem-sucedidos no meio, possuíam tudo o que o dinheiro podia comprar. Mas continuavam insatisfeitos e estressados. Após algumas reflexões e também traumas, decidiram romper com esse padrão e começaram a mudar seus hábitos de consumo.

Os dois decidiram largar os empregos em 2011 e começaram a se dedicar em tempo integral ao blog The Minimalists, que mostra como as pessoas podem remover o excesso de suas vidas e se concentrar no que é mais importante. Confira a seguir algumas indicações do filme,  que sugerem como é possível ter menos e ser mais feliz.

Pergunte-se: isso é útil?

Uma das lições mais importantes é esse questionamento. Dan Harris, autor do livro “10% Mais Feliz” e um dos entrevistados no documentário, conta em seu depoimento como se sentia estressado, compulsivo e ansioso. Ele chegou a sofrer um ataque de pânico em rede nacional, em 2004, enquanto apresentava um programa.

A vida de Dan mudou após praticar um tipo de meditação chamada Mindfulness, analisando suas atitudes e se questionando frequentemente se seus pensamentos excessivos e neuróticos traziam alguma utilidade.

Assim como os pensamentos, as compras excessivas também são analisadas pelos personagens do filme. Questionar a validade de certas aquisições, que apenas preenchem vazios, abre espaço para o que tem sentido. Doações e vendas de objetos que não se usam mais são muito bem-vindas dentro desse movimento.

Cuidado com a publicidade

Em “Minimalism”, especialistas são consultados sobre a crença da felicidade por meio da posse ou do acúmulo. Apesar de não se aprofundarem na questão, deixando claro apenas que isso é uma característica natural humana, eles alertam sobre a lógica comercial cruel e que persegue as pessoas (inclusive as crianças). O tempo inteiro, a publicidade faz com que acreditem que em algum momento irão encontrar a satisfação.

Qualidade em vez de quantidade

A entrevistada Courtney Carver aponta uma das essências do minimalismo, que é preferir ter bens que duram por um bom período e que realmente são utilizados a comprar um monte de futilidades que acabam encostadas em pouco tempo.

Ela é criadora do Project 333, um site que dá dicas de como viver três meses com apenas 33 peças de roupas diferentes. Pode parecer excêntrico, mas ela prova que é possível se manter bem vestido dessa maneira.

Casas menores e adaptáveis

Graham Hill é mais um minimalista que comprova que é possível viver bem em espaços pequenos. O arquiteto e designer canadense é criador do projeto Life Edited, que propõe que se leve em consideração a eficiência e o propósito das coisas em um lar.

Segundo Hill, elas devem ser projetadas para serem utilizadas a maior parte do tempo e não apenas em eventos raros. Ele mora em um apartamento de 40 m², onde só cabem suas coisas prediletas, a cama é embutida e a mesa de jantar é mínima, mas pode ser ampliada para até dez convidados.

Mais liberdade

A história de Colin Wright sugere como ter menos pode tornar as pessoas mais livres. O jovem possui apenas 51 itens, que carrega em duas mochilas desde 2009, quando se tornou um viajante em tempo integral.

Para Wright, que compartilha suas experiências e aprendizados no site Exile Lifestyle, apenas o minimalismo torna seu estilo de vida possível, pois não ter uma casa, relações, outras atividades ou distrações permite que ele não se apegue e esteja focado no que realmente lhe interessa. Com menos pertences em mãos, também consegue passear pelos lugares que visita por mais tempo, sem sofrer com o peso literal dos objetos que carrega na mala.

O minimalismo não deseja pregar que escolhas são certas ou erradas. Muito menos fazer com que as pessoas joguem fora todas as suas posses e se mudem para uma cabana. A ideia é fazer apenas com que se assuma o controle sobre o que se deseja consumir e mostrar que é possível viver mais livre e com menos estresse quando existe consciência sobre todo o processo.