31 de outubro 2017

Menosprezamos até a nossa capacidade de desejar as coisas

desejar as coisas (1)
31 outubro 2017

Menosprezamos até a nossa capacidade de desejar as coisas

Estamos tão ocupados em resolver a nossa vida que não nos damos a oportunidade de contemplar por que fazemos o que fazemos
Sobre o autor: Nathalia Roberto

Sócia da Kind, empresa que já reuniu mais de 2000 mulheres. Estuda budismo desde de 2015, é professora formada pelo programa CEB (Cultivating Emotional Balance), é interessada no silêncio e em investigar o mundo interno para ajudar mulheres a cultivar mais liberdade.

Texto por: Nathalia Roberto

Sócia da Kind, empresa que já reuniu mais de 2000 mulheres. Estuda budismo desde de 2015, é professora formada pelo programa CEB (Cultivating Emotional Balance), é interessada no silêncio e em investigar o mundo interno para ajudar mulheres a cultivar mais liberdade.

Outro dia ouvi de um amigo: “aspira”. Estávamos conversando sobre a possibilidade de fazer algo maravilhoso, que parece quase impossível. Imagine: um retiro de oito semanas na Itália, com um grande professor. Penso no impacto que isso tem na prática de meditação e em todos os seres ao redor. O coração se abre, os olhos brilham, o corpo aquece, a visão fica ampla.    

Agora, imagine: como é possível um “retirar da vida” por dois meses? A empresa, as mulheres, a sócia, o dinheiro, a família, a casa, as contas.... Não fizesse sentido a palavra aspira, eu teria eliminado ali a possibilidade de em algum momento poder realizar isso.

Nós menosprezamos até a nossa capacidade de desejar as coisas: sair de um casamento ou de um trabalho ruim, ter mais tempo com a família, poder fazer uma atividade física, escrever um livro, aprender um novo idioma, comer melhor, praticar meditação, ajudar as pessoas.

Estamos tão ocupados em resolver a nossa vida que não nos damos nem a oportunidade de contemplar por que fazemos o que fazemos, por que não fazemos o que não fazemos.

Alan Wallace, esse mesmo professor citado acima, disse durante o CEBTT (Cultivating Emotional Balance Teacher Training): "Motivação, a aspiração de saber em que direção gostaríamos de seguir, é uma das coisas mais importantes para dar sentido à vida.”

Nesse curso, ele falou de forma incansável sobre um tema, o equilíbrio conativo: Nossa capacidade de ter uma intenção, a mais elevada possível, de buscar a verdadeira felicidade e das pessoas ao redor. Isso tem a ver com priorizar os nossos desejos, entender o que realmente é importante para nós. O que, de fato, vai nos trazer bem-estar.

Imagine como seria ter uma intenção clara para qualquer coisa que façamos na vida? De criar um negócio a brincar com o filho de uma amiga, de sentar-se em silêncio a falar com sua mãe ao telefone, de escrever um texto a cozinhar para os amigos, de responder a um e-mail a lavar a louça do café da manhã... Tão obvio, tão simples, nada fácil.

Às vezes, quando algo parece impossível, poderíamos só nos permitir aspirar. Isso já seria uma grande coisa! Com a motivação clara, fica mais fácil saber onde colocar atenção, brota energia. Quando vemos, o dinheiro surge, as pessoas apoiam, o tempo aparece, a culpa vai embora. Mas, é claro, ainda assim vamos precisar comprar as passagens.