01 de julho 2017

Masculinidades tóxicas

masculinidade toxica
01 julho 2017

Masculinidades tóxicas

A definição do que é ser homem está mais próxima do conceito de máquina infalível do que de um ser humano com camadas de complexidade.
Texto por: Redação o Valor do Feminino

"A tragédia do machismo é que o homem nunca é homem o suficiente”, falou, certa vez, a teórica feminista Germaine Greer. Basta um olhar atento ao nosso redor para que entendamos o que ela quis dizer: seguir as propriedades exigidas dos homens em uma sociedade machista - não chorar, ser sempre destemido, jamais demonstrar fragilidade, prover o sustento total da família, não levar desaforo para casa — é humanamente impossível.

A definição do que é ser homem é muito restrita e está mais próxima a um conceito de máquina infalível do que de um ser humano com infinitas camadas de complexidade. Mas o conceito de humano no dicionário aponta justamente para o oposto: humanitário, compreensível, sensível, generoso, compassivo. No senso comum, no entanto, essas características ainda são atreladas exclusivamente ao feminino. Já não está mais do que na hora de pararmos de nos apegar a clichês de masculinidade e feminilidade e abraçarmos a humanidade em nós?

Em primeiro lugar, é importante entender por que chegamos a esse ponto. A socióloga australiana R.W. Connell desenvolveu uma das mais respeitadas teorias sobre masculinidades nos anos 1980, ao estudar como as diferenças de gênero começavam a aparecer nas práticas de bullying entre crianças na escola. Já que nem todos os homens são “masculinos” da mesma forma, Connell divide a masculinidade em hegemônicas, consideradas superiores, e subordinadas: “Masculinidade não é uma entidade fixa embutida no corpo ou nos traços de personalidade dos indivíduos. Masculinidades são configurações de práticas que são realizadas na socialização e, portanto, podem ser diferentes de acordo com as relações de gênero em um cenário social específico”.

Portanto, masculinidade não 
é um tipo de homem, 
mas a forma como homens 
se comportam socialmente.

A hegemonia é mantida com o policiamento de masculinidades subordinadas — como as “afeminadas” por exemplo —, sempre um descrédito em relação a minorias que já sofrem preconceito — como mulheres, negros e classes menos favorecidas. Isso acontece através de códigos culturais, piadas e frases a respeito do comportamento do outro e marginalização dessas masculinidades “outsiders”.

Masculinidades Toxicas Janela

“A tragédia do machismo é que o homem nunca é homem o suficiente”, falou, certa vez, a teórica feminista Germaine Greer. Basta um olhar atento ao nosso redor para que entendamos o que ela quis dizer: seguir as propriedades exigidas dos homens em uma sociedade machista - não chorar, ser sempre destemido, jamais demonstrar fragilidade, prover o sustento total da família, não levar desaforo para casa — é humanamente impossível.

A definição do que é ser homem é muito restrita e está mais próxima a um conceito de máquina infalível do que de um ser humano com infinitas camadas de complexidade. Mas o conceito de humano no dicionário aponta justamente para o oposto: humanitário, compreensível, sensível, generoso, compassivo. No senso comum, no entanto, essas características ainda são atreladas exclusivamente ao feminino. Já não está mais do que na hora de pararmos de nos apegar a clichês de masculinidade e feminilidade e abraçarmos a humanidade em nós?

Em primeiro lugar, é importante entender por que chegamos a esse ponto. A socióloga australiana R.W. Connell desenvolveu uma das mais respeitadas teorias sobre masculinidades nos anos 1980, ao estudar como as diferenças de gênero começavam a aparecer nas práticas de bullying entre crianças na escola. Já que nem todos os homens são “masculinos” da mesma forma, Connell divide a masculinidade em hegemônicas, consideradas superiores, e subordinadas: “Masculinidade não é uma entidade fixa embutida no corpo ou nos traços de personalidade dos indivíduos. Masculinidades são configurações de práticas que são realizadas na socialização e, portanto, podem ser diferentes de acordo com as relações de gênero em um cenário social específico”.

Sobre a autora:
Gabriela Loureiro é jornalista, mestre em Gênero e bolsista do programa Chevening. Gaúcha de origem, tem coração em São Paulo e endereço em Londres. Foi repórter na Abril, editora na Globo e hoje trabalha como freelancer. Adora uma cerveja acompanhada de um bom papo, é obcecada por comportamentos que desafiem padrões e nunca provou um queijo e não gostou.