27 de novembro 2017

Mais amor, por favor

mais amor (1)
27 novembro 2017

Mais amor, por favor

A falta de empatia migrou para um lugar que não sabemos onde é e deu espaço para um sentimento muito perigoso
Sobre o autor: Eliane Dias

É mulher, negra, esposa, mãe, empresária e política. É sócia da produtora Boogie Naipe, que cuida da carreira de Mano Brown, seu marido, e dos grupos Racionais, RZO e 5pra1. Sua história foi construída por conta da sua essência feminista de nunca desistir de buscar o que acredita ser dela.

Texto por: Eliane Dias

É mulher, negra, esposa, mãe, empresária e política. É sócia da produtora Boogie Naipe, que cuida da carreira de Mano Brown, seu marido, e dos grupos Racionais, RZO e 5pra1. Sua história foi construída por conta da sua essência feminista de nunca desistir de buscar o que acredita ser dela.

Os tempos andam tão conturbados que, para todos os lados que olhamos, não vemos a essência do ser humano - aquela que sorri de coisas bobas, que consegue enxergar a beleza, que respeita os mais velhos, que tem amor e empatia pelo próximo.

Há pouco, esse tipo de gente era regra, e não a exceção. O mal tem vencido o bem com muita facilidade e isso é assustador. É assustador ver a fragilidade das pessoas, porque não é preciso ser nenhum mestre da hipnose para convencer o outro sobre o ódio, e não sobre amor e respeito.

Está fácil ver famílias sendo constituídas na antipatia, na raiva, no racismo, na dor e no ódio. É espantoso como uma mãe consegue educar o filho para viver pela dor. Seria tão mais fácil viver pelo amor!

É inadmissível crer que um jovem que foi educado no aconchego de um lar tenha tanto ódio no coração, que saia na rua com um taco de beisebol nas mãos para agredir, simplesmente porque aprendeu a não gostar de negros, mulheres ou gays.

A falta de empatia migrou para um lugar que não sabemos onde é e deu espaço para um sentimento muito perigoso. Deu lugar ao ódio, que ficava guardado no coração e hoje está nas ruas, nas redes sociais e nas escolas, com o bullying. Hoje há uma insegurança muito grande em qualquer lugar, ninguém se sente seguro nem para manifestar sentimentos. Lembro o caso de um gesto de amor entre mãe e filha, que foi encarado como uma relação homoafetiva e levou à agressão das duas. Também teve o caso do pai e do filho, o que é assustador. Pensar que, se você der carinho para a filha em público, você pode ser agredida.

É extremamente triste ver crianças aprendendo com maus exemplos, pois parece que muitos pais perderam a vontade de ensinar o bem para os filhos. Mentem, ofendem e roubam na frente das crianças, que aprendem essas coisas com muita facilidade e saem reproduzindo achando que isso é normal. Não existiria tanta agressão aos professores e alunos se as crianças fossem ensinadas a respeitar o próximo em casa, não há lei que dê maior resultado do que aquilo que é ensinado com respeito e carinho.

Esses maus pais fazem o que é errado e depois não entendem por que seus rebentos vão para o caminho ruim. Pois o mais difícil na educação é ser exemplo. Repensar e rever os conceitos e o que quer para seus filhos é mais que urgente. É algo que deve ser debatidao e trazido para a discussão para ontem. A humanidade tem que entender que mais vale o que se faz do que o que se fala, e não o contrário.

Penso que tipo de família não consegue ensinar aos filhos que é importante se colocar no lugar do outro, que planta ira em vez de empatia. Como é preciso ensinar que, num jogo, um ganha e o outro perde! O importante é este aprendizado. O primeiro amor não será o último, é preciso passar por esta frustração, porque virão outros amores. Ninguém precisa se matar por um amor não correspondido, chorar também é bom e alivia o peito.

Tem muita gente precisando tomar um sol, ficar parado, sentar na grama, andar descalço, sorrir, dar abraços, olhar nos olhos, andar a pé, ver o outro.

O universo não suporta tanto ódio, mais amor por favor.