07 de julho 2017

Mais afeto

Casa das Mulheres
07 julho 2017

Mais afeto

Casas de acolhimento proliferam na cidade de São Paulo
Texto por: Livia Deodato

Quem afirma que estes são tempos de desamor e falta de empatia certamente não enxerga diversas iniciativas no caminho contrário, que levam afeto e acolhimento a quem muito precisa. Na cidade de São Paulo, é cada vez mais notável a existência de casas de acolhimento que atendem os mais diversos públicos. Antes, elas se restringiam ao universo das ONGs, mas agora uma série delas tem surgido a partir de ações de pessoas que, tocados por alguma causa, decidiram abrir espaço para acolher os mais vulneráveis.

A Casa 1 é um ótimo exemplo. Ela foi criada em 2015 pelo jornalista Iran Giusti, que abriu o seu próprio apartamento para abrigar LGBTs que haviam sido expulsos de suas casas. Com a alta demanda, ele notou que precisaria de um espaço maior para acolher todos que o procuravam. Uniu-se ao estudante de relações públicas Otávio Salles e à agência de comunicação Quatro e Um para juntos realizarem um financiamento coletivo. O objetivo era conseguir verba suficiente para alugar uma casa por um ano. A campanha foi muito bem sucedida e arrecadou R$ 112 mil, que está pagando por um ano as despesas do sobrado alugado na Bela Vista, bairro central de São Paulo.

O local é a residência de 12 pessoas, além de funcionar como um centro cultural e contar com salão de exposição, sala de cursos, palestras, workshops e uma biblioteca aberta ao público. A Casa 1 funciona todos os dias, das 10h às 22h, e está aberta para quem deseja apoio, lazer, entretenimento e incentivo para colocar em prática os seus projetos. Conta atualmente com um financiamento recorrente para ajudar na manutenção do espaço. “A escolha desse financiamento recorrente se deu não só por questões burocráticas mas também porque acreditamos que é a forma como a nossa sociedade pode funcionar: coletivamente. Entendemos que, se todo mundo fizer a sua parte, certamente juntos conseguiremos mudar muitas vidas”, dizem no site.

Viver, produzir e trocar

Também na região central de São Paulo, na Barra Funda, fica a Casa das Mulheres, um espaço destinado às mulheres e aberto a oficinas, reuniões e “o que mais elas quiserem”. A iniciativa nasceu a partir da ideia do Coletivo Juntas. “É uma casa aberta a todas as mulheres que queiram ter o seu espaço de construção, de atividades, de artes, de cultura, de política”, disse Sâmia Bomfim em vídeo postado na página. Sâmia foi a mais jovem vereadora eleita em São Paulo, com 12.464 votos.

Outro espaço de acolhimento que tem aberto suas portas para receber pessoas dispostas a inventar um novo modo de vida, mais colaborativo e cooperativo, é a Casa de Trocas. A casa, localizada no Pacaembu, funciona como residência para alguns, local de trabalho e de diversas atividades. É definida em sua página do Facebook como “um espaço para a transição de eras: da escassez para a abundância, da solidão para o pertencimento, do medo para a confiança. Aqui tudo é possível”. Uma das iniciativas que nasceram na Casa de Trocas foi o Abraço Cultural, uma escola de idiomas em que os professores são pessoas refugiadas.