03 de janeiro 2018

Intervenções urbanas afetivas: Rodrigo Guima

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03 janeiro 2018

Intervenções urbanas afetivas: Rodrigo Guima

A partir da observação do ambiente urbano, o artista cria ações que provocam o olhar de quem passa pelas ruas da cidade
Texto por: Livia Deodato

Quando os relógios públicos de São Paulo ficaram desativados entre os anos de 2011 e 2013, o artista Rodrigo Guima criou uma intervenção com cartazes onde se lia “Aqui o Tempo Parou”. Aquilo foi uma espécie de provocação poética sobre o uso do mobiliário urbano com arte, em vez de publicidade, e também sobre a necessidade de desacelerar na maior metrópole da América Latina.

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Rodrigo Guima é um artista entusiasta das ruas das grandes cidades. O resultado de seu trabalho é extraído da observação do ambiente urbano e da tentativa de causar uma ruptura do que ele chama de cotidiano mecânico. O artista define sua obra como “A Provocação do Afeto”. Afeto remete a coração, um símbolo que está presente em boa parte dos trabalhos dele.

Um exemplo é o projeto “Aqui Bate Um Coração”, em que Guima cola corações vermelhos em estátuas com o intuito de provocar a reconexão e a transformação das pessoas que vivem no estresse dos centros urbanos, endurecidas como estátuas. O resultado parece especialmente simbólico quando o coração é colocado no peito de um soldado de arma em punho.

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Outro trabalho é o “Pode Vir”, em que o artista instala pontos de parada de bicicleta em formato de coração, para compensar a falta de infraestrutura para ciclistas em São Paulo que sempre foi pensada prioritariamente para os carros, ainda que a situação tenha melhorado nos últimos anos.

Coração também é o tema central da campanha “Escuta seu Coração”, uma série de lambes feita em parceria com Ygor Marota (da série “Mais Amor, Por Favor!”). Os lambes foram espalhados por São Paulo, Rio de Janeiro e Berlim, com uma mensagem que busca reconectar as pessoas com seus corações.

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O próprio artista colocou certa vez um coração na cabeça, numa performance chamada “Deriva Afetiva”, durante a Virada Cultural de 2015. Seu site traz uma definição criativa para esse trabalho: “De tanto amar, o coração subiu à cabeça”.

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