25 de dezembro 2017

Idiomas para pessoas carentes

MOLICO TESTE
25 dezembro 2017

Idiomas para pessoas carentes

Conheça cinco organizações que fazem a diferença na vida de quem não pode pagar cursos extras
Texto por: Debora Stevaux

Atualmente, saber línguas é essencial para conseguir uma boa vaga de emprego ou de estágio. Para quem já tem um orçamento apertado, no entanto, pagar um curso de idioma é quase impossível, o que afasta pessoas em vulnerabilidade social da possibilidade de sair dessa condição.

Pensando na necessidade de incluir e de transformar vidas por meio da educação que voluntários de vários cantos do Brasil desenvolveram projetos que ensinam idiomas para pessoas carentes. É o caso da designer gráfica Amanda Areias, 24, que criou em fevereiro de 2017 o Voice - Inglês para elas. A paulistana, que antes dava aulas de língua portuguesa para refugiados, acabou criando o próprio projeto para conseguir conciliar e administrar de casa e é, claro, manter acesa a chama que a motiva a ajudar as pessoas.

Foi seguindo os passos do caminho inclusivo que Amanda decidiu focar somente nas mulheres e no inglês. “Optei pelo inglês pois foi algo que abriu muitas portas para mim e acredito que passar esse conhecimento para mulheres carentes também pode ter o mesmo efeito. O foco é somente o público feminino porque ainda há uma disparidade muito grande de mulheres no mercado, quando comparado com os homens. Embora representemos grande parte da força de trabalho, ainda recebemos os mais baixos salários. E ter inglês no currículo é algo que nos faz crescer profissionalmente, então, pode ser uma das ferramentas para contribuir com a igualdade de gênero”, explica.

Amanda também ressalta que falar uma nova língua surte um efeito positivo na autoestima das mulheres, que passam a se sentir mais confiantes consigo mesmas. As aulas são ministradas em um espaço escolar emprestado no bairro Jardim Colombo, em Paraisópolis, região periférica da capital paulista. Os planos futuros vão longe: expandir o projeto para outros bairros carentes de São Paulo e disponibilizar outros tipos de ajuda para o público feminino. “Além de quatro turmas que já estão previstas para continuar em 2018, pensamos em oferecer auxílio psicológico com terapeutas especializados, providenciar creches para que as alunas possam deixar seus filhos enquanto estão na escola e também formar um grupo com advogadas trabalhando para ajudar essas mulheres em casos de problemas em domésticos”, conta.

Conheça o Voice e outros projetos bacanas que estão mudando a realidade de vários brasileiros pela da educação.

1. Voice - Inglês para elas

Uma equipe de 27 professores dá aulas em trios para turmas de 15 a 30 alunas. Os níveis semestrais se dividem entre módulos para iniciantes, intermediário até o avançado. Os únicos pré-requisitos são ser do sexo feminino, ter mais de 14 anos e não ter condições de pagar por um curso particular de inglês. “Temos diversas idades e profissões entre as nossas alunas. Desde meninas que estão se formando no Ensino Médio e prestando vestibular até funcionárias domésticas de 50 anos”, esclarece a designer.

O projeto funciona com os fundos arrecadados uma vez por ano por meio de uma vaquinha online, o recurso é usado, principalmente, para imprimir as apostilas.

2. Abraço Cultural

A organização não-governamental surgiu em 2014 com o objetivo de ajudar refugiados que passaram a morar nas capitais de São Paulo e Rio de Janeiro a se estabelecerem por meio de cursos de idiomas e cultura. O projeto conta com quatro apoiadores: a plataforma social Atados, o programa de atendimento a refugiados e solicitantes de refúgio Cáritas, a instituição de arquitetura Escola da Cidade e a SP Escola de Teatro. Já são 2.000 alunos inscritos, 40 professores e 150 turmas abertas em três anos de história.

3. Cidadão Pró-Mundo

A ONG que está há 20 anos na ativa se encarrega de oferecer aulas de inglês gratuitas para cerca de 700 jovens de comunidades carentes espalhadas por São Paulo e Rio de Janeiro. No início, a primeira região de atuação do projeto foi o distrito de Capão Redondo, quando, em 1997, o consultor de empresas Marcos Fernandes teve um insight e acabou fundando a organização com o objetivo de oferecer oportunidades iguais com o ensino da língua inglesa. No começo, as aulas eram ministradas nas casas dos próprios alunos ou de voluntários. Hoje a organização conta com oito unidades próprias

4. Les Crabes

A ONG atua com o objetivo de levar o ensino da língua francesa para crianças de uma das comunidades mais carentes da cidade de Recife, a de Caranguejo Tabaiares. O próprio nome do projeto, que significa “Os Caranguejos” em francês, é uma homenagem ao local de atuação dos docentes voluntários. Normalmente, as aulas são ministradas para turmas de até 12 alunos

5. English For All

O projeto é uma extensão da Associação Civil English For All, uma ONG criada em 2003 com o objetivo de se aliar a outras organizações, instituições e empresas parceiras que desenvolvem um trabalho de educação complementar com adolescentes e jovens de 11 a 24 anos. A ideia é oferecer o ensino da língua inglesa de forma inclusiva para fomentar a conquista da autonomia.  

A entidade foi idealizada por uma equipe de educadores especializados que formam, hoje, a equipe pedagógica do projeto. As turmas são formadas por grupos de 5 a 15 alunos de acordo com a capacidade das organizações parceiras. Os professores voluntários são chamados de volunteachers, uma junção das palavras voluntary, voluntário em inglês e teacher, que significa professor. Hoje, o projeto conta com cinco entidades parceiras: a Associação Santo Agostinho, a ONG Mãe do Salvador, as Obras Sociais do Mosteiro São Geraldo, o banco JPMorgan e a empresa Promon Engenharia.