18 de outubro 2017

Homens querem um mundo diferente

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18 outubro 2017

Homens querem um mundo diferente

Pesquisa aponta que eles desejam ter mais espaço para exercer os valores humanos
Texto por: Julliane Silveira

As mulheres são as mais afetadas em um mundo que valoriza atributos associados ao universo masculino. Mas eles também sofrem quando precisam expor sentimentos ou exercer qualidades atribuídas ao feminino.

É o que mostra a pesquisa realizada por Molico com 1.000 brasileiros, igualmente divididos entre homens e mulheres de 16 a 64 anos, de todas as partes do país.

O trabalho aponta que quase metade dos homens também já passou porr constrangimentos no trabalho, ajudou um colega que se sentiu desrespeitado (44%) ou quis dizer algo em uma reunião, mas não se sentiu encorajado (42%). Tudo isso porque o ambiente corporativo estimula a competitividade, o foco nos resultados e um pouco de frieza e indiferença – características relacionadas ao universo masculino.

Mas a maioria dos profissionais ouvidos pela pesquisa desejam criar um ambiente de trabalho mais acolhedor e sensível. Perguntados sobre como gostariam de agir, eles optaram por uma postura considerada mais feminina: 62% escolheram agir com eficiência, valorizar todos os membros da equipe (61%) e promover um ambiente inspirador (55%) e acolhedor (53%).

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Os resultados da pesquisa também mostram que os homens se sentem pressionados por um modelo de masculinidade que não traduz seus anseios e sentimentos. Eles também desejam ter mais espaço para expressar valores que, na verdade, são humanos. Os homens não querem abraçar a figura de provedor, protetor, bem-sucedido e forte o tempo todo, sem abertura para viver suas emoções como gostariam.

Por exemplo, quando foram questionados sobre as situações que gostariam de ver acontecer com mais frequência em casa, 42% deles disseram que queriam mais tempo e disposição para ouvir e acolher as pessoas, índice maior do que o encontrado entre as mulheres (40%).

Mais jovens

O trabalho mostra que homens e mulheres desejam um mundo mais humano. Mas os meninos da geração Z, com idade entre 16 e 20 anos, são os que se mostraram mais entusiasmados com a criação de um ambiente mais amoroso e igualitário.

A maioria dos rapazes gostaria de ver uma divisão igualitária das tarefas domésticas (57%) e que pai e mãe cuidasse igualmente da educação dos filhos (50%).

Esses jovens também desejam levar para o ambiente de trabalho uma visão mais humana e democrática de mundo. São eles os que mais almejam o consenso (51%) e anseiam por liberdade para falar sobre problemas pessoais no serviço (28%).

Ao mesmo tempo, não deixam de lado as características típicas das novas gerações: Querem ser valorizados pelo seu jeito de ser, e não pelo que os gestores esperam e se sentir à vontade para expor as próprias ideias (56%).

E ainda exibem um ranço do universo corporativo tipicamente masculino: desejam foco no resultado (39%), esperam que os inexperientes ouçam mais e falem menos (33%) e querem que os colegas sejam menos sensíveis a críticas (22%).

Se as questões de gênero forem superadas e todos encontrarem um ambiente democrático e aberto em casa e no trabalho, certamente será mais fácil focar na produtividade e ser criticado de forma positiva.