31 de julho 2017

Gestão horizontal

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31 julho 2017

Gestão horizontal

Sonho de trabalho de muitos, essa forma de gerir a empresa implica mais participação e responsabilidades de todos
Texto por: Livia Deodato

Não ter chefes e compartilhar o trabalho em equipe faz parte de um modelo de gestão horizontal, idealizado por muitas pessoas. No entanto, a ausência de uma estrutura hierárquica, em que todas as decisões são tomadas de modo coletivo, não é tão simples de se aplicar na prática. Em palestra no último Festival Path, Mario Kaphan, sócio-fundador do Vagas.com, definiu a gestão horizontal como “todo mundo pode fazer o que quer, mas todo mundo tem tudo a ver com isso”. Isso implica, por exemplo, uma carga maior de responsabilidades, já que uma tarefa mal feita pode afetar duramente o trabalho do outro ou de uma equipe inteira.

Para se adaptar ao trabalho de uma instituição de gestão horizontal, é preciso ter uma boa dose de desapego, estar aberto a críticas e mudanças e se desprender da zona de conforto. Como tudo é decidido em conjunto, faz parte abrir mão de uma ideia para reconhecer que outra pode ser melhor no resultado final. Nesse modelo, há profusão de ideias e interlocutores e, por isso, é necessário ter tolerância, desenvolver empatia e conseguir gerir bem o seu próprio tempo para que o foco não seja perdido. O cliente e a geração de valor no mercado devem sempre estar na mira para que as expectativas sejam atendidas.

A gestão horizontal pode ser uma ótima saída para dar conta das mudanças do mercado, uma vez que dá voz a todos de uma maneira igualitária e, a partir daí, pode ajudar a resolver as demandas de modo mais efetivo. Mas não é todo mundo que se adapta bem ao modo de gestão horizontal. Pessoas de perfil altruísta e pró-ativo, que gostam de dinamismo e flexibilidade, possuem visão estratégica e são comunicativas são as que mais se ajustam a essas empresas.

A gestão é horizontal, mas os salários são diferentes

Embora não haja gestores, há quem assuma a frente de determinados projetos – por afinidade ou falta de opção mesmo. “É uma ilusão achar que na gestão horizontal nós fazemos sempre o que se gostamos”, disse Ana Julia Guirello, da abeLLha, que palestrou ao lado de Kaphan no Festival Path. “Às vezes, deixamos claro que não gostamos de fazer aquilo, mas alguém precisa fazer.” Um bom debate é sempre muito bem-vindo e a troca de ideias é incentivada constantemente dentro dessas empresas. As decisões são tomadas apenas depois de um consenso geral, esgotando-se todas as argumentações para chegar à melhor solução.

Como todos são envolvidos nas resoluções dos problemas, é natural que a produtividade aumente, bem como o lucro da empresa. Mas isso não significa que os salários também serão iguais. A partir de uma estratégia clara, os próprios pares medem a contribuição de cada um, com métricas mais ou menos objetivas. Esse é, inclusive, um dos grandes desafios da gestão horizontal.

Estar aberto para trabalhar o relacionamento interpessoal e receber feedbacks dos colegas de equipe são duas qualidades mais do que necessárias na gestão horizontal. O comprometimento, assim, pode render muitos frutos que passam sempre pela satisfação de aprender uns com os outros.