27 de novembro 2017

Futurismo

Futurismo (1)
27 novembro 2017

Futurismo

Pensar no futuro desejável é o caminho encontrado por especialistas para criar perspectivas melhores para todos
Texto por: Julliane Silveira

Estudos sobre futuro surgem para que possamos entender aonde estamos indo e aonde queremos ir – na maioria das vezes, não é o mesmo lugar. Por isso, a ideia do futurismo é oferecer ferramentas às pessoas, para que possam atuar no mundo de forma mais ativa: sabemos que, hoje, a maioria apenas desenvolve mecanismos de reação ao que surge em sua rota. O futurismo é o caminho encontrado por especialistas para criar perspectivas melhores para todos.

O assunto é um dos pilares do documentário “Quando Somos Quem Queremos Ser?”, idealizado e realizado pelo canal GNT e o coletivo Asas. O filme traz conversas e discussões que aconteceram durante três dias no Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), com profissionais das marcas Molico, Itaú e Natura e pensadores, como a futurista Lala Deheinzelin. Todos fizeram reflexões sobre o mundo que desejamos construir daqui para a frente.

Para Lala, nós precisamos inspirar futuros desejáveis urgentemente. Isso só acontece quando são criadas visões positivas, que ampliam o campo dos futuros possíveis e desejáveis e que deixam de lado uma postura reativa e todas as tendências. “Quando ampliamos o campo para o desejável, a gente identifica que há caminhos possíveis, mesmo que improváveis. Porque o provável é o reativo, é a tendência, é o passado. O desejável é amplo”, explica.

De acordo com o Núcleo de Estudos do Futuro da PUC-SP, o presente é também um importante campo de estudo para os futuristas, porque aquilo que acontece no presente dá forma ao futuro. Portanto, precisamos entender perfeitamente o que ocorre neste momento, já que o pensamento de futuro envolve amplamente o que se deve fazer agora e que passos devemos tomar para criar um futuro desejado. Sempre tendo em mente as condições do presente e as esperanças no futuro.

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Futuro desejável

O futuro desejável certamente é melhor do que o chamado futuro possível, porque revela o que está no desejo das pessoas. É como se fossem sementes que procuram um terreno fértil para brotar. Somos nós os responsáveis por preparar a terra boa. “A gente vê que as civilizações avançam quanto têm uma visão de futuro desejável”, argumenta Lala.

Um bom exemplo de futuro desejável é a forma como está sendo construída a democracia na Estônia. Lá no norte da Europa, se estabelece de forma cada vez mais sólida a democracia digital, uma nova forma de a população participar das decisões públicas. No país, os cidadãos podem votar pela internet, assim como realizar transações bancárias, compra e venda de carros em poucos minutos. “Por isso é muito importante conhecer quais futuros são possíveis, mesmo que improváveis”, pondera Lala.

Para ir à frente em busca de novas caminhos, também é preciso também deixar para trás a ideia de que as melhores coisas da vida ficaram no passado. Essa forma de enxergar valor no tempo atrapalha a construção de um futuro mais equilibrado e adequado aos desejos da humanidade. “Porque você passa a desejar algo irrecuperável, que é o passado, e teme o que é desejável e possível, que é futuro”, argumenta Lala.

Também precisamos ampliar nosso repertório e referências, que ainda estão totalmente arraigados nos acontecimentos passados. “Nós estamos totalmente analfabetos em relação ao futuro, porque fomos treinados a aprender somente pelo passado. Precisamos aprender a enxergar as forças que estão moldando o futuro, a ver possibilidades e como a combinação de tudo o que já existe pode criar um novo futuro”, explica a futurista.

Somando nossos valores e visões, temos a oportunidade de dar mais um passo na transformação que tanto desejamos para o mundo, criando uma espécie de inteligência coletiva, orgânica e criativa.

Confira as reflexões de Lala neste vídeo.