11 de outubro 2017

Flor Gentil

Flor Gentil
11 outubro 2017

Flor Gentil

Projeto reaproveita arranjos de eventos para levar um pouco de cor a quem precisa
Texto por: Camila Luz

Após grandes eventos, como casamentos e aniversários, milhares de flores em ótimo estado são descartadas. Motivada pela vontade de alegrar a vida de outras pessoas, a florista Helena Lunardelli teve a ideia de dar nova vida para os arranjos e doá-los para casas de repousos.
Helena, que é autora dos livros “Cidade das Flores” e “Pequenos Arranjos do Cotidiano”, criou o Instituto Flor Gentil em 2010. Durante os eventos que produzia, ouvia os funcionários comentando que custava caro decorar uma festa com flores e que precisavam juntar dinheiro por um bom tempo para conseguir. Enquanto isso, centenas de arranjos em ótimas condições iam para o lixo.
A florista passou a juntar os arranjos dos eventos que decorava e os levou para o seu ateliê. Com o material, montava novos arranjinhos. “Como sempre teve uma relação muito próxima com os avós, decidiu distribuir para idosos que moravam em casas de repouso”, conta Cecília Maia, diretora geral do Flor Gentil.

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Aquela atitude foi a semente do projeto, que cresceu e hoje tem mais de 3.000 voluntários cadastrados. “A gente recebe todas as flores de eventos que acontecem nos fins de semana. Os voluntários fazem a retirada em galpões de decoradores parceiros todo domingo ou segunda de manhã”, explica Cecília. “Na sede, outro grupo de voluntários faz todo o processo de confecção de novos arranjos”, completa.
Os voluntários fazem uma triagem e escolhem as flores que estão em bom estado. O processo é criterioso para que o material doado realmente esteja em boas condições. Em seguida, distribuem os novos arranjos em algumas das 34 casas de repouso cadastradas.
O Instituto também tem outra vertente, o Fundo Gentil. Ele é responsável por doar arranjos para instituições assistenciais ou pessoas de baixa renda que farão um grande evento e não têm como arcar com os custos de decoração. Nesse caso, os arranjos são feitos sob medida para as festas. Eles alegram hospitais, escolas, capelas e festas beneficentes.
O Flor Gentil se mantém com doações e venda de produtos artesanais. Além disso, oferece oficinas curtas de arranjos e jardinagem que são abertas ao público durante a primavera. Os cursos também são adquiridos por empresas como parte de programas de qualidade de vida para seus funcionários.

Por que doar flores

Para Cecília, a flor sempre tem um significado positivo. “De amor, carinho, afeto, homenagem, lembrança. Algo vivo e bom vai com a flor”, opina. “A gente usa a flor como um veículo de afeto para chegar até o idoso, sentar ao lado dele, abraçar, estar junto. Ela carrega um simbolismo.”
Também para Cecília o trabalho com as flores é carregado de significado. Ela se envolveu com o Instituto Flor Gentil para suprir o desejo de doar seu tempo para o próximo. Ela é engenheira civil, já atuou em diversas áreas e empreendeu. Quando sua empresa tinha mais de 200 funcionários, passou por uma fusão com outra companhia.
“Foi um processo complicado de mudança na política e mentalidade da empresa. Era muito diferente de tudo o que a gente pregava quando era só nossa”, explica.
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A empreendedora decidiu deixar o negócio, o que coincidiu com o momento em que sua mãe passava por um tratamento de câncer. Hoje ela está bem, mas foi um longo período de cuidados “Passei um tempo cuidando dela e me perguntando o que queria fazer da minha vida. Achei que já estava no momento de focar no próximo, pois já havia trilhado um caminho feliz na minha vida profissional”, afirma.
A diretora se encantou com a possibilidade de trabalhar com idosos -- membros da sociedade que costumam receber pouca atenção. Além disso, quem não gostaria de trabalhar com flores?
Hoje, seu objetivo é que o Instituto caminhe com as próprias pernas e continue rendendo bons frutos para os voluntários e instituições apoiadas.