02 de janeiro 2018

Esporte para todos

Diego Cagnato (5)
02 janeiro 2018

Esporte para todos

Fotógrafo de Curitiba imprime seu olhar sensível em registros esportivos, sem diferenças de gênero
Texto por: Livia Deodato

O curitibano Diego Cagnato, de 31 anos, sempre foi apaixonado por esportes, principalmente por aqueles considerados mais marginais ou pouco populares. Mas uma lesão em ambos os joelhos fez com que sua atuação em quaisquer esportes fosse praticamente proibida. “A doença me levou a perder a cartilagem nos joelhos e, se eu fizer força, dói demais”, conta. A maneira que encontrou de estar perto daquilo que mais gosta foi se profissionalizar e fazer fotos de esporte.

Entre suas modalidades favoritas está o ciclismo. Ele começou a fotografar os atletas sobre duas rodas há cerca de nove anos, quando abriu uma loja-conceito em Curitiba que vendia marcas de roupas, peças de bike, skate etc. “Nessa época, eu ainda não era profissional, não vivia da fotografia, mas sim da loja”, relembra. Paralelamente a esse trabalho, Diego fazia parte de um coletivo punk que estudava temas complexos e sensíveis, desde racismo até comunismo – “todos os ‘ismos’ que a sociedade não queria confrontar”. Foi assim que entrou em contato, pela primeira vez, com as questões que envolvem igualdade de gênero. “Havia muitas mulheres no coletivo e as discussões que nasceram ali ampliaram a nossa visão.”

Diego Cagnato (2)

Fotografar mulheres nos esportes de modo respeitoso e igualitário passou a figurar nas prioridades de Diego. Ele faz isso também como uma forma de apoio a várias atletas. “Faço muitas fotos de graça para que elas consigam patrocínio. Em 2013, fotografei uma amiga que não tinha patrocínio para participar de um campeonato de triatlo no Havaí”, relembra. O fotógrafo acompanhou seu treinamento. Com o material que fez, ela conseguiu patrocínio e viajou para disputar o mundial de 2014.

Há um ano e meio em São Paulo, Diego segue se especializando em outros tipos de fotos de esporte, que considera ainda mais underground, como o fisiculturismo e o boxe. As atletas dessas modalidades também têm ganhado a atenção da lente de Diego. “Há muito preconceito e falta de informação. Até mesmo nas competições mais famosas, como a Giro d’Italia, em que premiam quem desce mais rápido de bicicleta o circuito, há muita diferença entre os valores recebidos por homens e mulheres que chegam em primeiro lugar”, afirma. “Na última competição, o atleta que chegou primeiro lugar levou 10 mil euros, enquanto a atleta que ficou no topo do pódio ganhou apenas 1.060 euros.”

Diego já está fazendo a sua parte na luta pela igualdade de gênero.

Veja galeria com fotos de esporte de Diego Cagnato

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