24 de novembro 2017

Empatia

empatia (1)
24 novembro 2017

Empatia

É preciso romper muros e barreiras de si mesmo e dos outros para tornar o mundo mais colaborativo e acolhedor
Texto por: Julliane Silveira

A palavra empatia é originária do grego (da junção de “em” – dentro e “pathos” – sentimento). Significa, literalmente, entrar nos sentimentos. O termo foi primeiramente cunhado em inglês (“empathy”) por psicólogos que adaptaram a palavra alemã que tinha exatamente esse significado e era constantemente usada nos artigos científicos da área.

Há até bem pouco tempo, pouco se ouvia falar em empatia fora da psicologia. Atualmente, no entanto, parece ser uma palavra de ordem para quem deseja um mundo mais justo, acolhedor e colaborativo.

A empatia foi escolhida como um dos pilares para a reflexão sobre as transformações do mundo, que ocorreu no Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), com profissionais das marcas Molico, Itaú e Natura. As conversas e discussões deram origem ao documentário “Quando Somos Quem Queremos Ser?”, idealizado e realizado pelo canal GNT e o coletivo Asas.

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É simples entender por que o termo está em evidência: vivenciamos agora uma intensa mudança na forma como nos relacionamos. Saímos de uma era de individualismo, em que o “eu” e o “individual” ditavam todas as regras e maneiras de se colocar no mundo, e chegamos à era do coletivo, do compartilhável e do universal, em que a sociedade em rede se estabelece com força e a interdependência se torna fundamental. Uma vez que é feita essa passagem e surge uma nova forma de pensar e interagir, torna-se muito importante ver, compreender e se colocar no lugar de outra pessoa.

Não dá para ignorar que a sociedade se movimenta para entender, aplicar e disseminar o conceito de empatia. Até mesmo um museu sobre o tema foi criado em 2015, em Londres, no Reino Unido, de onde vem uma emocionante exposição em cartaz até dezembro no parque Ibirapuera, em São Paulo (SP). A mostra interativa leva à reflexão de como a empatia pode transformar relações, diminuir preconceitos, conflitos e desigualdades, inspirando significativas mudanças de atitude. A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo também está atenta ao tema e anunciou recentemente que habilidades socioemocionais passam a ser matéria obrigatória no currículo das escolas públicas da cidade partir de 2018. Entre elas, a empatia.

O que é empatia, afinal?

“Empatia é você se ver a partir do outro. Você se vê diferente, mas, nas questões fundamentais da vida, você se reconhece na outra pessoa. [Ambos] alegram-se, apaixonam-se, sentem coragem e medo, sofrem”, explica no documentário o economista Oswaldo Oliveira, fundador da Organização Próspera.

Ser empático é conseguir entender o outro e isso inclui compreender seu ponto de vista, criado a partir de um repertório e de uma experiência única. O que quer dizer que o outro não tem a obrigação – e nem seria capaz – de passar por uma situação ou interpretar um fato como outra pessoa e que precisa ser compreendido e acolhido.

“Quem não desenvolve um comportamento empático vai se excluindo e vivemos hoje um momento de inclusão. É preciso se adaptar ao que seria um mundo menos conhecido, isto é, ao outro. Evolução é adaptabilidade”, diz Oswaldo.

Professora na área de saúde da Universidade de Southampton, no Reino Unido, Theresa Wiseman fez pesquisas sobre empatia nos últimos 20 anos. Ela chegou a quatro qualidades essenciais para quem quer exercer a empatia de fato:

1. Ter a habilidade de ver conforme a perspectiva do outro e reconhecer que essa perspectiva é a verdade para essa pessoa;

2. Não julgar;

3. Reconhecer as emoções de outra pessoa;

4. Sentir com a pessoa e comunicar essas emoções.

Por ser profundo e complexo, o processo de empatia pode ser difícil para algumas pessoas, sobretudo para aquelas que têm receio de enfrentar as próprias angústias em situações difíceis de lidar e de encontrar muito de si na outra pessoa. “Mas, ao entender que o outro desconhecido é uma oportunidade de aprender sobre si mesmo, a gente para de ter medo”, pondera Oswaldo.

Por que o mundo precisa de empatia?

Uma sociedade colaborativa é essencial para o desenvolvimento social e econômico do planeta, já é realidade e, para especialistas, não dá para ser diferente. “A colaboração é a única chave que temos para sobreviver como espécie e planeta. Colaborar é uma tecnologia sofisticada e a chave é o afeto”, analisa Oswaldo.

Mais do que exercer funções em conjunto, estimular trocas e praticar o compartilhamento de diversos serviços, a sociedade colaborativa só tem sua realização plena e efetiva quando há empatia. É preciso ter interesse genuíno pela necessidade do outro para que a força do coletivo se estabeleça. A junção de sintonia e conhecimento é a chave para o crescimento de todos e para um futuro mais equilibrado.

É preciso entender que a força do coletivo não está na soma das partes, e sim na interação que existe entre elas. Somente a empatia é capaz de quebrar muros e barreiras e fazer com que todos sejam capazes de focar na mesma meta, a de tornar o mundo um lugar mais acolhedor e justo para todas as pessoas.

Para ampliar a discussão sobre empatia durante a imersão em Inhotim, contamos com o economista Oswaldo Oliveira. Para ele, precisamos exercitar a empatia para poder acessar os benefícios da abundância em sociedade em rede. Veja mais no vídeo.