01 de agosto 2017

Efeitos do cuidado

Efeitos do cuidado
01 agosto 2017

Efeitos do cuidado

Estudos e pesquisas em todo o mundo apontam (mais) prós e (menos) contras quando os pais passam a cuidar de seus filhos de forma intensa
Texto por: Livia Deodato

Cuidar dos filhos provoca reações no cérebro e no organismo que levam ao bem-estar dos pais, de seus rebentos e, consequentemente, de toda a sociedade. Esse é apenas um dos resultados de uma série de estudos e pesquisas que vêm sendo divulgados por cientistas comportamentais de todo o mundo. O ato de estar presente e importar-se com a educação dos filhos, além de orientá-los sobre escolhas e decisões a serem tomadas, revelam um impacto considerável nos hormônios.

De acordo com uma pesquisa realizada com homens filipinos em 2011, os níveis de testosterona caíram em média 34% no primeiro mês após o nascimento dos filhos. Em alguns casos, esse nível chegou a 75%. A produção de ocitocina, conhecida como “hormônio do carinho”, praticamente dobrou em pais que acompanhavam o início da gravidez de suas mulheres e também durante o primeiro mês de nascimento do filho. Foi encontrado até mesmo a prolactina, hormônio que possibilita a lactação em mulheres: pais apresentavam um quinto a mais do que em homens sem filhos.

Alterações no cérebro também foram notadas e avaliadas. Um estudo americano de 2014 analisou o cérebro de homens no primeiro e no quarto mês após o nascimento dos filhos. Durante esse período, foi notado que a matéria cinzenta em áreas ligadas ao apego e a tomadas de decisões complexas cresceu.

Caso esses mesmos estudos e pesquisas tivessem sido feitos na Suécia, certamente os números aumentariam. No país escandinavo, a participação dos homens no cuidado dos filhos e na divisão das tarefas domésticas é grande e, portanto, os impactos seriam ainda maiores. A testosterona provavelmente tem nível mais baixo e, por sua vez, a prolactina e a ocitocina têm níveis mais altos, principalmente durante momentos sensíveis e de afeição.

Os efeitos hormonais relacionados ao cuidar

Pais que se deixam envolver pela criação e cuidado de seus filhos criam um forte vínculo, que deve se manter por toda a vida. Um estudo sueco de 2008 descobriu que ter uma longa licença-paternidade afeta a participação na vida dos filhos no futuro, mesmo em caso de separação dos pais.

Os efeitos hormonais a partir desse tipo de relação são inevitáveis e têm mais vantagens do que desvantagens. “Se você está intimamente ligado a uma criança, você não pode ser tão duro”, diz Karin Hallback Stigendal, coordenadora de um centro de convivência na Suécia. Em entrevista ao site Aeon, ela assegura que bastam seis meses de prática de parentalidade para vencer para sempre o homem impetuoso, insensível e agressivo.

Parentalidade nada mais é do que o conjunto de atividades desempenhadas pelos adultos com o objetivo de garantir a sobrevivência e o desenvolvimento pleno da criança. Ela estabelece vínculos afetivos próximos e estimula o cuidado, a educação, os limites e a autonomia, entre outros pontos importantes, no desenvolvimento da criança. 

Por outro lado, a testosterona deixa homens e mulheres mais musculosos, propensos a se arriscarem e socialmente voltados para o exterior. Há indícios também de que o hormônio encoraja as pessoas a ter um papel dominante, embora um estudo de 2014 com pais israelenses tenha mostrado que aqueles que apresentam uma baixa dosagem de testosterona são mais afetuosos, táteis e comunicativos com suas crianças.

Muitas pesquisas, estudos, prós e contras. Mas, ao que tudo indica, o engajamento dos pais no cuidado com as crianças está diretamente ligado a uma evolução humana bem sucedida.