08 de agosto 2017

Economias do futuro

fluxonomia 4d (1)
08 agosto 2017

Economias do futuro

Entenda a Fluxonomia 4D e de que forma ela pode ajudar a melhorar o mundo
Texto por: Livia Deodato

A Fluxonomia 4D identifica quatro economias de futuro – economia criativa, economia do compartilhar, economia colaborativa e economia multivalor. O termo foi criado por Lala Deheinzelin, uma das pioneiras da economia criativa no Brasil, e apresenta uma nova maneira de pensar a movimentação do trabalho no mundo. A ideia é que cada uma dessas economias ative a outra de forma exponencial, isto é, por multiplicação para que cresçam rapidamente e acompanhem os problemas e suas respectivas velocidades.

A estrutura desse novo modo de pensar a economia foi desenhada por Lala para acompanhar a transição atual dos modelos de viver, empreender, gerir. Ao observar que a nossa capacidade de resposta é linear, tem pouco alcance e avança lentamente, Lala pensou numa forma de buscar dinâmicas e estratégias que tenham natureza exponencial, que acompanhem a velocidade das crises que nos acompanham.

“Conseguimos realizar feitos exponenciais quando nos conectamos para o bem comum”, disse ela em um TEDx. “Se é para trabalhar para o mercado, isso não exponencializa. Isso é linear.” Ao trabalhar em conjunto com o objetivo de sanar problemas coletivos, as pessoas estão basicamente usando o conceito da Fluxonomia 4D. “Quando nos conectamos e eu me deixo afetar por você, estou o percebendo e me transformando”, exemplifica Lala.

As quatro economias da Fluxonomia 4D

Fazem parte da Fluxonomia 4D quatro tipos de novas economias, que Lala identifica como “de futuro”. Elas já são utilizadas no presente, mas ainda não foram valorizadas da mesma forma que a tradicional economia.

São elas, de acordo com os preceitos definidos por Lala:

  • Economia criativa: Fluxo de matérias-primas abundantes, que não se consomem, mas se multiplicam com o uso, como cultura, conhecimento, criatividade, experiências da comunidade;

  • Economia do compartilhar: Fluxo de infraestrutura de forma mais acessível e sustentável, a partir do compartilhamento de espaços, equipamentos, materiais;

  • Economia colaborativa: Fluxo de iniciativas, conectadas e convergindo potências por meio de gestão distribuída e processos em rede;

  • Economia multivalor: Fluxo de recursos e resultados de toda natureza, não apenas monetários, mas também culturais, ambientais e sociais (chamada de 4D = quatro dimensões da sustentabilidade).

E por que tudo isso combinado ainda não funciona de modo eficaz na prática? Porque o sistema atual dá valor apenas ao que é tangível, isto é, o ambiental e o financeiro, segundo Lala. “Somos ricos, mas não estamos ricos, porque as quatro economias de futuro seguem praticamente invisíveis. Nossa visão e nossas métricas não estão preparadas para perceber as riquezas à nossa volta. Fomos treinados a enxergar e dar valor apenas ao que é tangível (o ambiental e o financeiro). Isso porque as ferramentas disponíveis para medir riquezas e resultados só consideram o numérico, quantitativo e monetário”, explica ela em um texto publicado no Medium.

A saída é estimular cada vez mais a criação de comunidades criativas e colaborativas para que se conheçam, comuniquem-se, cuidem-se, colaborem entre si, celebrem e façam circular esse movimento. “Tudo isso só vai acontecer quando voltarmos a confiar uns nos outros”, afirma Lala.