02 de janeiro 2018

Economia feminina X economia masculina

economia feminina
02 janeiro 2018

Economia feminina X economia masculina

Entenda quais são os valores deste conceito e como ele se diferencia da proposta masculina
Texto por: Livia Deodato

O mundo dos negócios pode ser um espaço para criar novos valores, formas de economia e experimentar uma distribuição mais justa de poder e recursos. Mas é realmente isso o que se vê neste ecossistema? O capitalismo é regido por um modelo econômico focado na competição, no individualismo, na hierarquização, no ego, no mito da meritocracia e na perpetuação do consumo desenfreado.

Segundo Jennifer Armbrust, consultora norte-americana de arte e projetos criativos, defensora da Economia Feminina e fundadora da Feminist Business School, no formato atual apenas princípios ligados à esfera masculina são levados em consideração e vistos como características do que seria o sucesso. Ela propõe é um outro olhar para o mercado, para o qual utiliza conceitos do que seria a Economia Feminina.

Em suas palestras e workshops, Jennifer propõe uma subversão do atual padrão convencionado. Sua meta é utilizar os conceitos da Economia Feminina para ampliar os horizontes e estimular maneiras inovadoras de conceber e administrar um empreendimento. Nesse modelo, questões basicamente opostas às praticadas pela Economia Masculina ganham espaço, como generosidade, abundância, colaboração, integridade, honestidade, empatia e sustentabilidade.

O trabalho da consultora se baseia na reorientação das pessoas, para que cultivem uma relação mais consciente com o dinheiro, o poder, a Terra, o próprio corpo e com elas mesmas. Instaurando pouco a pouco o modus operandi da Economia Feminina, ela acredita que a sociedade encontrará um número maior de benefícios, como um senso mais profundo de prazer e atuação na maneira como vivem, trabalham e se comportam em grupo.

Princípios da Economia Feminina

A consultora propôs doze princípios e dicas que devem ser levados em consideração para prototipar um negócio feminista.

1. Lembre-se que você tem um corpo.

2. Você está conectado com a Terra, com as plantas e todos os seres vivos.

3. Integre-se!

4. Institucionalize a empatia: construa estruturas que apoiem a expressão dos sentimentos.

5. Fortaleça seus valores.

6. Corra atrás da felicidade: descubra novas definições de sucesso.

7. Considere tudo como um experimento.

8. Livre-se do mito da meritocracia.

9. Diga a verdade.

10. Cultive o sentimento de abundância e consciência.

11. Um negócio pode servir de cura para você e para os outros.

12. Um negócio pode ser um modelo para uma nova ordem social e econômica.

Aqui no Brasil, a concepção da Economia Feminina pretende dar visibilidade à experiência histórica da mulher, tanto na esfera pública quanto na esfera privada, isto é, nos constantes trabalhos não remunerados exercidos dentro do lar. Uma das organizações que levanta essa bandeira no país é a Sempreviva Organização Feminina (SOF). De acordo com a instituição, é preciso que as mulheres coloquem a lógica da produção do viver em primeiro lugar e dividam essa responsabilidade com os governos, os homens e toda a sociedade. Para socializar essas reflexões e contribuir para a ampliação dessa luta pela igualdade e autonomia, a SOF criou uma cartilha da Economia Feminista.

Entre algumas de suas críticas estão a desconsideração nas sociedades capitalistas e que dão privilégios apenas aos homens do trabalho de reprodução da vida, exercido ainda na maior parte das vezes por mulheres, que, em duplas jornadas, se dedicam ao serviço doméstico e aos cuidados familiares. O texto repreende a visão de que trabalho produtivo é apenas aquele monetarizado.

O ponto principal, independentemente da corrente e do país onde a Economia Feminina é aplicada, é entender que não se trata de uma rixa entre homens e mulheres. A proposta é refletir um negócio, um protótipo do mundo em que se deseja viver. Suas proposições se baseiam apenas em criar relações de interdependência e não dependência, buscar a igualdade entre as pessoas, além de lutar pela desmercantilização dos corpos e da vida em um sistema econômico arraigado a visões individualistas e meramente baseado no lucro.