04 de setembro 2017

Dez temas sobre “The Mask You Live In”

The Mask You Live In
04 setembro 2017

Dez temas sobre “The Mask You Live In”

Documentário mostra como meninos são educados a partir de um conceito distorcido de masculinidade
Texto por: Livia Deodato

“Seja homem”, “pare de chorar”, “isso é coisa de menina”, “pare de frescura”. Essas são apenas algumas das frases que os meninos do mundo inteiro crescem ouvindo e que abrem o documentário “The Mask You Live in” (“A Máscara em que Você Vive”, em tradução livre), da diretora Jennifer Siebel Newsom, disponível na Netflix.

O filme fala sobre como meninos são educados dentro de um conceito muito distorcido de masculinidade, que não permite demonstrar afeto nem dizer o que sente. Depoimentos surpreendentes de educadores, psicólogos, treinadores, crianças e jovens mostram dores e dificuldades de ser homem nesse contexto. Na lista abaixo, há alguns temas importantes que o filme traz para discussão.

Veja dez temas para prestar atenção no filme


1. Meninos são ensinados a não demonstrar suas emoções
Jovens e adultos falam da solidão de não ter com quem compartilhar suas emoções, especialmente quando se sentem tristes ou vulneráveis.

2. Homens aprendem a rejeitar qualidades do feminino
Em casa e na escola, meninos aprendem a rejeitar características como a sensibilidade, a intimidade com os colegas, o acolhimento e até mesmo o gosto pelo mundo das artes. Os que têm um comportamento mais feminino sofrem pressão e bullying.

3. Força física, sucesso financeiro e desempenho sexual são super valorizados
Esses são os pilares que sustentam o modelo da chamada hipermasculinidade. Por isso, meninos crescem com a ideia de que para ser um homem bem sucedido precisam ser fortes, ganhar muito dinheiro e se relacionar com várias mulheres.

4. Sexo é uma questão biológica, mas gênero é uma construção social
Existe uma diferença muito grande na criação de homens e mulheres. Especialistas apontam que as habilidades surgem de acordo com o que a criança é estimulada a praticar. E, no caso dos meninos, muitas brincadeiras enaltecem a agressividade e a força.

5. Três ou mais meninos se suicidam todos os dias
O documentário traz esse dado alarmante e mostra como a diferença dessa taxa entre homens e mulheres aumenta com a idade. Dos 10 aos 14 anos, o suicídio entre os homens é três vezes maior do que entre as mulheres. Dos 20 aos 24 anos, essa taxa fica sete vezes maior.

6. Garotos passam 40 horas por semana na frente da TV
Figuras de homens que mais aparecem em filmes e séries são super-heróis ou personagens cheios de força e sucesso, que não demonstram emoções e que têm sempre o controle da situação. Na música, rappers cercados de dinheiro e mulheres também reforçam o estereótipo de masculinidade distorcido.

7. 31% dos meninos se sentem viciados em videogames
E 90% dos jogos para crianças de mais de 10 anos contêm algum tipo de violência. Especialistas apontam que essa exposição excessiva pode deixar os garotos menos sensíveis ao sofrimento alheio, causar medo e estimular comportamentos agressivos.

8. 68% dos homens consomem pornografia semanalmente e 21% usam-na diariamente
Para a maioria dos homens, essa é a única forma de “educação” sexual. Eles crescem com a ideia de que o corpo da mulher pode ser comprado ou objetificado, além de dar a falsa e perigosa impressão de que a agressividade é algo natural nas práticas sexuais.

9. 1 em cada 5 estudantes mulheres é vítima de abuso sexual
A formação baseada na pornografia aliada ao consumo excessivo de álcool faz com que muitos jovens se esforcem – e forcem – para ter relações sexuais mesmo sem o consentimento das mulheres. Também conhecida como cultura do estupro.

10. É preciso expandir o significado do que é ser homem
Para que todos se sintam completos e para que a sociedade viva de forma mais equilibrada, é fundamental que os homens sejam estimulados e tenham suporte para demonstrar e digerir suas emoções.