15 de agosto 2017

Desescolarização

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15 agosto 2017

Desescolarização

Processo que começou no fim dos anos 1960 ganha adeptos em todo o mundo, inclusive no Brasil
Texto por: Livia Deodato

O processo de desescolarização (“unschooling”, em inglês) é realizado pelos pais que acreditam que as experiências do cotidiano têm mais a ensinar aos filhos do que a escola. O movimento surgiu entre o final dos anos 1960 e o começo dos anos 1970, principalmente depois do lançamento do livro “Sociedade sem Escolas”, do filósofo austríaco Ivan Illich. Na publicação, o autor critica as instituições educacionais especialmente porque não estimulam o desenvolvimento da autonomia no processo de aprender. Currículos engessados e que pouco estabelecem relações com situações enfrentadas no dia a dia também fazem com que os estudantes percam o interesse em seguir frequentando as escolas.

Os adeptos da desescolarização acreditam que a educação além dos muros da escola respeita o tempo de cada um, além de promover o desenvolvimento particular e o entendimento sobre suas emoções e sentimentos. No entanto, há de dar todo o apoio necessário nessa fase. As crianças que não frequentam a escola têm de ter à disposição um ambiente com muitos recursos. De histórias em quadrinhos a enciclopédias, passando por livros de literatura e todo material didático necessário: tudo é válido para que a educação das crianças seja bem-sucedida fora da escola. A diferença é que tudo fica ao alcance dos pequenos sem a imposição do currículo: eles podem acessar tudo no seu tempo e de acordo com o seu interesse.

Desescolarização X educação domiciliar

Há algumas diferenças entre os processos de desescolarização e educação familiar. Na desescolarização, a aquisição de conhecimento pode acontecer não só em casa como também em rodas de amigos, na família, na interação com a comunidade, na internet ou em qualquer outro ambiente. Não há currículo preestabelecido para que as crianças acompanhem. Já na educação familiar, o aprendizado se dá em casa, sob orientação e supervisão dos pais, de forma semelhante à adotada nas escolas.

Angelina Jolie e Brad Pitt são adeptos da educação domiciliar. Em entrevista ao jornal americano Daily Mail, o ex-casal de atores disse que seus filhos não frequentavam a escola, mas seguiam um programa internacional de educação. “O sistema de ensino americano não condiz com nosso modo de vida e não fala a mesma língua de nossos filhos. Eu prefiro ir com eles a um museu ou ensiná-los a tocar violão”, disse Jolie. “Quando nós viajamos, eu sou a primeira pessoa a dizer: ‘terminem a tarefa de casa o mais rápido possível, porque vamos sair e explorar”.

Já a família Schurmann, famosa por velejar ao redor do mundo, teve de optar por educar diretamente seus filhos. A bordo, há diversos materiais de apoio para estudo e pesquisa, mas é no dia a dia em contato com a natureza que eles mais aprendem, pais e filhos.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação determina que é obrigatória a frequência de todas as crianças de 4 a 17 anos em uma instituição de ensino. Tanto a desescolarização quanto a educação familiar não apresentam amparo legal e os pais podem ser denunciados por “abandono intelectual”. Segundo a Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned), há pelo menos 6 mil crianças de 3,2 mil famílias que aderiram ao modelo no Brasil. Mas a própria Aned acredita que o número possa ser ainda maior, já que muitas famílias não declaram por medo de serem denunciadas.