04 de julho 2017

Constelação Familiar

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04 julho 2017

Constelação Familiar

Conheça um método terapêutico que identifica a origem de questões pessoais de modo menos racional e mais intuitivo
Texto por: Livia Deodato

Na busca por encontrar maneiras não convencionais para o autoconhecimento, muitas pessoas descobriram a Constelação Familiar e ficaram encantadas com o processo. Criada pelo psicoterapeuta alemão Bert Hellinger, a Constelação Familiar é um modelo de observação fenomenológica, em que é possível descortinar dinâmicas ocultas que regem a história de cada um e, ao mesmo tempo, de todos nós. Por meio de um encontro entre pessoas que não se conhecem, o método terapêutico esclarece de modo menos racional e mais intuitivo questões pessoais que são trazidas à tona pela pessoa que “constela”, isto é, que expõe sua história ao grupo.

Hellinger desenvolveu esse método na década de 70, depois de chegar à conclusão de que mais de 50% de nossos problemas vêm dos relacionamentos familiares. Acontecimentos trágicos ou difíceis de serem digeridos, que envolvam violência, mágoa, frustração e até mesmo a morte, afetam não só os envolvidos como também as gerações que vêm antes e depois de nós. O psicoterapeuta tornou possível identificar tais questões por meio do coletivo, ao qual todos pertencemos.

Assim, a pessoa que “constela” leva uma questão que ela identifica como problema inicial e algumas pessoas são convidadas a representar determinados papéis. Há também a opção de constelar de forma individual, com o auxílio do terapeuta. A ideia não é atuar, mas sim deixar ser levado pela emoção e intuição. Se a pessoa que constela teve uma questão de qualquer ordem que tenha ficado mal resolvida com a mãe e o irmão, verá os representantes entrarem para o campo e assumirem os papéis de mãe, irmão e até mesmo o dela.

A partir desse momento, eles devem levar em consideração todas as sensações físicas que sentirem. “Peço para que todo representante que entre no campo esteja muito disponível e livre-se de todo e qualquer julgamento. Só assim será possível realmente entrar em conexão. Há de se confiar nessas sensações físicas. A mente trai, mas o nosso corpo, não”, afirma a psicóloga e facilitadora de constelações familiares Adriana Ranzatti.

As ordens do amor na Constelação Familiar

Para que a solução seja encontrada (ou a cura aconteça), Bert Hellinger constatou a existência de três ordens do amor, que precisam ser respeitadas. Sem esse reconhecimento, haverá sempre um desequilíbrio no sistema. São elas: o pertencimento, o sentido de que fazemos parte de um todo; a hierarquia, em respeito a quem veio antes de nós; e a troca, que gera equilíbrio e compensação. “A troca faz parte da vida. A pessoa que não sabe dar e receber não gera vínculo”, diz Adriana.

Dentro dessa lógica, os pais são doadores e os filhos receptores. Os filhos só passarão a doar quando se tornarem pais – e assim por diante. O que há de mais importante que todos recebem de seus pais é a vida, frisa Bert em seus livros, palestras e cursos. Isso é motivo suficiente para agradecer e respeitar os pais, por mais diferenças que existam.

O pertencimento significa incluir todos aqueles que fizeram parte um dia do seio familiar, sem deixar de lado os que morreram precocemente, os natimortos, os deficientes, os maus, os filhos abortados. É muito comum que essas pessoas sejam esquecidas pelo fato de que a lembrança delas traz sofrimento. Mas, de acordo com os preceitos da Constelação Familiar, se a atenção não for voltada para o todo, o sistema não pode ter paz e harmonia. Isso significa que alguém da família, numa geração futura, irá representar o membro que havia sido excluído e será impedido de completar a sua própria missão. “Quando a pessoa assume o que sente ou o que viveu, isso alivia e cura a si mesmo e a todos”, diz Adriana.