18 de julho 2017

Conexão real

CNV
18 julho 2017

Conexão real

Conheça as cinco formas mais comuns de se comunicar e evite as menos amistosas
Texto por: Livia Deodato

A Comunicação Não Violenta, ou CNV, faz parte de um processo de pesquisa contínua desenvolvida pelo psicólogo norte-americano Marshall Rosenberg. A proposta é encontrar um entendimento verdadeiro entre duas ou mais pessoas. Isso significa estabelecer uma conexão profunda que envolva parceria, cooperação e empatia entre os envolvidos. Com isso, mal entendidos gerados por interpretações errôneas são evitados, assim como o desgaste entre indivíduos.

Em um workshop realizado no último Festival Path, Yuri Haaz e Sandra Caselato, da Sinergia Comunicação, propuseram um exercício prático a respeito desse entendimento entre pessoas durante a comunicação. Eles contaram que há cinco formas mais comuns de receber a fala em uma conversa, de uma reunião de negócios ao papo na mesa do bar.

Você pode treinar em casa com uma pessoa próxima para, futuramente, prestar atenção na maneira como se comunica e evitar as menos amistosas. “O objetivo é estabelecer conexão consigo mesmo, com a outra pessoa e com o coletivo”, diz Yuri. O primeiro treino é deixar a pessoa com quem você está conversando falar sem parar por dois minutos. Não a interrompa. Apenas a escute. Preste atenção em cada detalhe do que foi dito. “Uma sintonia fina leva à percepção do que está realmente acontecendo e como lidar com isso”, complementa Sandra.

Faça os exercícios abaixo em dupla e troquem de posição a cada dois minutos (ouvinte X receptor e vice-versa). Após cada um dos exercícios, anote seus sentimentos ou converse a respeito deles. Depois deles, você nunca mais será o mesmo em uma conversa.

Cinco formas de receber a fala, segundo a CNV

 

Distração

Nos tempos atuais, com tantas ofertas eletrônicas e redes sociais, esta é maneira mais comum de receber a fala de outra pessoa. Quantas vezes você esteve distraído enquanto o outro tentava se comunicar? Teste por dois minutos contar uma história para outra pessoa enquanto ela olha para o celular, lê uma revista ou mantém o olhar longe. Perceba seus sentimentos em relação a esse comportamento durante esse tempo e depois conversem para checar se houve (ou não) algum tipo de comunicação.

Fale de si

Agora o exercício é contar a mesma ou outra história e, no meio dela, a pessoa com quem você conversa deverá interrompê-lo para falar de si. Por exemplo: você vai contar sobre uma experiência ruim que passou recentemente no trabalho. Antes mesmo que você consiga concluir, seu interlocutor vai pôr fim à sua fala para contar que já passou por situação semelhante ou ainda pior. Ele não deixará você terminar de contar a sua história. Veja como se sente, depois de dois minutos.

Interrompa com perguntas

A ideia aqui é questionar toda e qualquer ação realizada por quem fala. Faça perguntas, não espere a pessoa terminar de dar a resposta e já lance outra. Perceba como a sua pergunta pode dar a falsa impressão de você estar conectado com o outro. O que vale mais: ouvir ou fazer uma entrevista com quem está tentando apenas contar uma história com começo, meio e fim para você?

Dê conselhos

Quem nunca foi conselheiro de um amigo ou parente que atire a primeira pedra. Dar conselhos até para quem não pediu é bastante comum e é uma atitude não conectiva. Faça esse exercício e perceba quão inconveniente quem dá conselhos pode ser. A não ser que peçam, evite a prática.

Busque se conectar com o outro

Finalmente, chegamos ao que realmente interessa nesta prática: conectar-se com o outro. Uma dica dada por Sandra e Yuri é ouvir com atenção plena tudo o que foi dito pelo interlocutor e, ao final, repetir todas as informações que foram dadas com o objetivo de checar se você entendeu bem. “Repetir o que outra pessoa acabou de dizer é o procedimento padrão de quem tem profissões de risco, como médicos e pilotos, pois qualquer erro pode ser fatal”, diz Yuri.