03 de janeiro 2018

Compras sem sentido

compras sem sentido
03 janeiro 2018

Compras sem sentido

Relatório do Greenpeace mostra que consumo compulsivo causa ressaca emocional e é frequente em diversas partes do mundo
Texto por: Julliane Silveira

Compradores compulsivos gastam além do que devem em compras, sentem um momento de prazer e, em seguida, ficam mal. Não há muita novidade nesse círculo vicioso de consumo, mas parece que cada vez mais pessoas aderem a ele.

É o que mostra um relatório do Greenpeace, que é parte de uma campanha de conscientização de consumo. A entidade ouviu pessoas da China, Hong Kong, Taiwan Itália e Alemanha por quatro meses, para entender a motivação e as emoções envolvidas no momento das compras. A pesquisa mostra que a compra por impulso é seguida por uma ressaca emocional, com sensação de vazio, culpa e vergonha.

Ainda assim, é bem alto o índice de moradores que compram regularmente roupas, sapatos, bolsas e acessórios em excesso: 60% dos chineses e dos alemães admitiram que compram mais roupas do que precisam. Aqueles que têm em casa itens sem uso, ainda com etiquetas, também formam um número alto: metade dos entrevistados da China e de Hong Kong, 46% dos italianos, 41% dos alemães e 40% dos tailandeses.

Chama atenção as motivações que levam os compradores a exagerar. Eles não consomem porque precisam de algo, e sim por razões sociais e emocionais, como a necessidade de aliviar o estresse, aumentar a autoestima, ganhar status e ser reconhecido, além do sentimento agradável de gastar dinheiro e tempo às compras com amigos.

Só que esses sentimentos não duram mais do que um dia. Cerca de dois terços dos entrevistados disseram que se sentem mais felizes e satisfeitos logo após a compra, mas a maioria disse que a sensação desaparece depois de um dia e até menos. Um terço deles afirma que se sente até mais vazio após a excitação da compra.

Vazio e sufocamento

Então, por que as pessoas continuam comprando? Segundo as pessoas ouvidas para o relatório, as redes sociais são um importante impulso, especialmente para quem vive na China (72%) e em Hong Kong (63%). Outros gatilhos bem relevantes são a pressão de pessoas próximas para a compra, anúncios com celebridades e promoções e liquidações.

Ao analisar o comportamento das pessoas e das marcas sobre o consumo, o jornalista e futurista britânico James Wallman cunhou o termo “stuffocation”, de stuff - “coisa”, em inglês, e “sufocation” - sufocamento na mesma língua.

A palavra descreve um estado em que as pessoas estão inseridas em um ciclo de trabalho e acumulação de itens, a fim de manter o ritmo de consumismo imposto pelo mundo. Para James, é o combustível da ansidade da vida moderna e da destruição do planeta, já que esse modelo mantém as pessoas bem distantes de uma vida mais imaginativa e plena.

Vale a reflexão do quanto o materialismo alimenta as pessoas de falsas ideias e expectativas frustradas e vazias.