20 de março 2018

Como ser bonita: por que o meu primeiro batom vermelho acabou depois do meu último término?

como ser bonita
20 março 2018

Como ser bonita: por que o meu primeiro batom vermelho acabou depois do meu último término?

Como toda boa representante do sexo feminino, sempre tive problemas de autoestima.
Sobre o autor: Coluna Green Park Content - Débora Stevaux

A Green Park Content é uma empresa global especializada em produção de conteúdo e responsável por este site. Neste mês, escreve nesta coluna a jornalista Débora Stevaux.

Texto por: Coluna Green Park Content - Débora Stevaux

A Green Park Content é uma empresa global especializada em produção de conteúdo e responsável por este site. Neste mês, escreve nesta coluna a jornalista Débora Stevaux.

Como ser bonita: essas três palavrinhas foram buscadas mais de 18 mil vezes no Google somente no último ano. Mas o que isso quer dizer? Por que as mulheres estão procurando sobre isso? Eu poderia responder com um assertivo e sonoro ‘E daí?’ e seguir viagem. Mas resolvi encucar com isso, porque achei necessário gastar mais do que alguns segundos com esse trio esquisito. Talvez pelo reconhecimento: porque já passou pela minha cabeça em algumas fases da minha vida. 

Como toda boa representante do sexo feminino, sempre tive problemas de autoestima, mesmo sendo magra, branca e sem nenhuma grande deficiência aparente. Parece que se todas as meninas que habitam o mundo hoje, e me arrisco a incluir as que também vão habitá-lo, resolvessem dizer, em coro, o que não as agrada em seus corpos, nunca mais a Terra teria alguns minutos de silêncio.

Eu, pelo menos, tenho uma vasta lista: começou pelos óculos com lentes de fundo de garrafa, os dentes separados no meio, a pinta grande na bochecha esquerda, os seios pequenos demais, as marcas de espinhas e as espinhas em si, o nariz arredondado, o papo gordinho. Até os pelos do braço já me incomodaram em algum momento da minha vida e eu não hesitei em tirá-los com cera quente. Mas algo aconteceu entre o dia em que eu chorei para voltar para casa porque meu pai não tinha me vestido com a roupa cor de rosa que eu queria quando bem pequena no aniversário da Lilian, na minha cidade natal, e a manhã do meu aniversário, há quinze dias, quando me olhei no espelho.

Eu, atenta, me olhei no espelho do quarto e gostei do que vi. Gostei de uma forma genuína, enxerguei beleza em mim. Pode parecer bobagem, mas não é: há um ano, emagreci cinco quilos depois de um turbilhão de problemas. Eu, que já era conhecida por ser magra, muito branca e alta, sumi, como as avós e as mães costumam falar quando você emagrece muito. Depois de três meses, engordei dez, e foram os melhore dez quilos da minha vida, tanto é que trago comigo até hoje. O avalanche de situações indigestas me tirou a fome, que logo foi recuperada, graças ao esforço da minha mãe e dos meus amigos.

Quando me fitei no espelho, não foi por um acaso, estava colorindo os lábios de vermelho. Por coincidência passei um batom que já está suspirando de tão pequeno que se mostrou quando girei a embalagem. Em 24 anos de existência, é a primeira vez que estou prestes a acabar com ele. Depois de dois términos de relacionamentos, um tanto quanto outro conturbados, sendo que o primeiro teve lá sua pitada de abusivo, hoje não saio sem batom vermelho de casa. Reforça a feminilidade? Sim, mas me faz bem. Acho que é dessa forma que respondi, internamente, a questão: como ser bonita? A única forma de ser bonita e se sentir verdadeiramente bem consigo mesmo é quando a gente cuida de si, e eu não estou falando só da aparência e dos enfeites, falo de dentro também.