10 de outubro 2017

Como as emoções são criadas

Como as emocoes são criadas (1)
10 outubro 2017

Como as emoções são criadas

Em livro, psicóloga norte-americana alerta que bullying e provocações podem trazer danos permanentes ao cérebro
Texto por: Julliane Silveira

Se um colega de escola agride uma criança e machuca sua perna, todos veem. Os efeitos desse tipo de violência são rapidamente mensuráveis e o agressor é punido de forma objetiva. Mas quais são as consequências físicas do bullying ou de provocações intermináveis? Elas podem ser vistas e medidas?

Essas perguntas são feitas por Lisa Barrett Feldman, professora de psicologia da Northeastern University, nos EUA. Em suas pesquisas, Lisa associa a psicologia às neurociências para entender como as emoções surgem no cérebro. Algumas respostas estão em seu livro “How Emotions Are Made: The Secret Life of the Brain” (Como as emoções são criadas: a vida secreta do cérebro), sem edição no Brasil.

A publicação mostra de forma detalhada como o cérebro cria emoções e como elas podem trazem prejuízos aos neurônios ao longo da vida. O assunto é tão sério que a autora questiona a forma como a Justiça lida com situações emocionais. Para ela, é difícil para a sociedade entender que algumas palavras e alguns tipos de comportamento podem ser uma forma de violência tão grave quanto a física.

“A lei protege a integridade do corpo anatômico, mas não a integridade da mente, ainda que o corpo seja apenas uma caixa para o órgão que faz você ser quem é: seu cérebro. Danos emocionais não são considerados reais a não ser que sejam acompanhados de prejuízos físicos”, diz Lisa no livro.

A questão é mais séria no caso das crianças. Bullying e outros tipos de abuso causam efeitos de longo prazo, segundo Lisa. Estudos mostram que pessoas que sofreram bullying na infância ficam doentes com mais facilidade, porque o sistema imunológico foi comprometido. Esse tipo de agressão também causa morte de neurônios do hipocampo e do córtex pré-frontal, áreas do cérebro relacionadas a memória, concentração e emoções.

Em uma coluna publicada neste ano no New York Times, Lisa enfatiza que é o estresse crônico que leva a danos permanentes no sistema nervoso. “Se você passa muito tempo em um ambiente  cruel, sempre se preocupando sobre sua segurança, saiba que esse é o tipo de estresse que traz doenças e remodela seu cérebro”, escreveu no texto.

Lisa lembra que discussões políticas intensas e intermináveis, em que um grupo provoca e ofende outro com visão diferente, é tão ruim quanto bullying na escola ou nas redes sociais. “Uma cultura de brutalidade constante e casual é tóxica para o corpo e nós sofremos por isso.”