18 de agosto 2017

Com ou sem divã?

com ou sem diva
18 agosto 2017

Com ou sem divã?

Há mais de 200 linhas de psicoterapia. Conheça as principais abordagens
Texto por: Julliane Silveira

Quando Sigmund Freud lançou ao mundo sua proposta de cura pela fala, no início do século 20, certamente não imaginava quantas linhas de psicoterapia surgiriam cem anos depois.

A psicanálise freudiana marca o início do estudo do inconsciente e é a técnica mais lembrada quando se fala em psicoterapia. Há, porém, mais de 200 propostas diferentes que ajudam na busca pelo autoconhecimento, na resolução de conflitos, traumas e medos e na compreensão das relações.

Todas elas trazem benefícios. Uma revisão de 50 estudos científicos realizado pela Associação Americana de Psicologia mostra que a psicoterapia – independentemente da abordagem – traz resultados mais duradouros do que remédios e reduz a incidência de doenças e de internações em hospitais psiquiátricos durante a vida do paciente.

Durante as sessões, o paciente traz seus anseios, medos, angústias e dúvidas. O profissional entra como referência para reflexão e amadurecimento das ideias e ajuda a reconstruir alguns conceitos. É exatamente nesse ponto que a abordagem certa pode fazer diferença no tratamento.

Isso porque algumas linhas terapêuticas são mais eficazes para tratar traumas pontuais, enquanto outras analisam profundamente as experiências de toda a vida do paciente para ajudar na elaboração de questões.

Conheça as principais linhas e saiba qual é a melhor para você.

Psicanálise

A principal regra é o uso da associação livre: o paciente fala sobre o que quer e o analista o ajuda a descobrir qual é a questão central que deseja discutir na terapia. O paciente relaciona as informações fornecidas na sessão a situações da própria vida.

Na técnica freudiana clássica, o analista se mostra pouco e se mantém distante do paciente.

PARA QUÊ? Entender como situações e sentimentos vividos no passado podem influenciar as atitudes e as sensações de hoje, mesmo que estejam esquecidos no inconsciente. Indicada para pessoas que desejam fazer terapia por bastante tempo.

Abordagens: psicanálise freudiana, psicanálise lacaniana, psicanálise winnicottiana, psicologia analítica

Terapias humanistas

As escolas humanistas têm inspiração em filósofos como Jean Paul Sartre, Martin Heidegger e Soren Kierkegaard. Os terapeutas humanistas deixam de lado a análise do inconsciente para focar mais nas situações atuais do paciente.  A proposta é descobrir respostas em um clima mais próximo e amistoso: o terapeuta atua como um “facilitador” das conclusões do paciente.

PARA QUÊ? Refletir sobre o que ocorre na vida neste momento e encontrar caminhos para lidar com situações futuras. São indicadas para pessoas que têm dificuldade de se abrir ou se sentem facilmente oprimidas.

Abordagens: terapia centrada na pessoa, gestalt-terapia, logoterapia, análise existencial, psicodrama

Terapias cognitivas e comportamentais

Neste tipo de terapia, o paciente procura se desvencilhar de pensamentos negativos ou situações ruins por meio de exercícios e outras técnicas. Nas primeiras sessões, são estabelecidas metas e estratégias. O paciente pode receber atividades para fazer fora da sessão, como pensar sobre um assunto ou conversar com uma pessoa-chave. Nos caso de traumas, pode ser treinado pelo terapeuta para enfrentar o medo. Dessa forma, o paciente se condiciona a reagir mais tranquilamente diante daquilo que o incomoda.

PARA QUÊ? Resolver um problema pontual, como dificuldade de fazer amigos ou uma crise conjugal. Para tratamento de depressão, de vícios e de fobias, como medo de andar de avião ou de falar em público. Também vale para quem não quer passar anos em terapia: em geral, a alta ocorre entre a 20ª e a 40ª sessão.

Abordagens: Terapia cognitivo-comportamental, terapia comportamental, terapia em grupo