02 de janeiro 2018

Chefs Especiais

Café Chefs Especiais/Reprodução: Facebook
02 janeiro 2018

Chefs Especiais

O Instituto Chefs Especiais, em São Paulo, trabalha a inclusão de pessoas com síndrome de Down por meio da gastronomia e inserção no mercado de trabalho
Texto por: Camila Luz

No Brasil, as causas sociais mais apoiadas são dirigidas para crianças e idosos. Em São Paulo, um casal resolveu fazer diferente e trabalhar com a inclusão de pessoas com síndrome de Down. Desde 2006, Simone e Márcio Berti comandam o Instituto Chefs Especiais. Por meio de aulas de gastronomia, os alunos exercitam a autonomia e são capacitados para o mercado de trabalho.

A síndrome de Down, ou Trissomia do cromossomo 21, é uma alteração genética produzida pela presença de um cromossomo a mais em todas as células do organismo. Enquanto a maioria da população tem 46 cromossomos em suas células, as pessoas com a síndrome têm 47.

A condição não é uma doença, como muita gente pensa. Os indivíduos que têm síndrome de Down apresentam algumas características em comum, como olhos amendoados e deficiência intelectual. Mas cada um deles tem personalidade e qualidades únicas. São capazes de sentir, amar, aprender, se relacionar, se divertir e trabalhar.

É tudo isso que o trabalho desenvolvido por Simone e Márcio prova. “Nosso objetivo principal é a autonomia e, como consequência, o mercado de trabalho”, conta Simone. “Lapidamos o que eles têm de melhor. Desenvolvemos as habilidades natas. As aulas mexem com a autoestima dos alunos e de suas famílias, trazendo consequências interessantes para o seu desenvolvimento”, completa.

Gastronomia e inclusão

O carro chefe do instituto são as aulas de gastronomia, ministradas por um chef de cozinha convidado. São oficinas de três horas de duração, nas quais o profissional ensina os alunos a fazer pratos salgados e doces que podem ser reproduzidos em casa. “Os projetos de destaque são sempre os ligados à gastronomia”, diz Simone. “Escolhemos pois pode ser usada diariamente e, sem querer, trabalha o tempo, a quantificação, trabalho em grupo, organização e higiene”, completa.

O Instituto Chefs Especiais também oferece oficinas de violão, dança e mapas mentais. Além disso, há a opção de fazer os cursos de atendimento de salão e capacitação culinária em especialidades como confeitaria e panificação.

Todas as aulas são gratuitas e atendem mais de 300 alunos fixos. Há, ainda, uma fila de espera, aguardando a liberação de vagas. Por enquanto, o instituto está presente apenas em São Paulo, mas há planos de expandi-lo para as principais capitais do Brasil. Mas para isso acontecer, o casal de fundadores depende de doações e do financiamento de empresas, já que o Chefs Especiais é uma ONG.

Os bad boys da rua Augusta

Em 2017, o instituto ganhou mais um braço em São Paulo: o Café Chefs Especiais, localizado na rua Augusta. A maioria dos baristas e atendentes são pessoas com síndrome de Down que, muitas vezes, receberam a primeira oportunidade de emprego de suas vidas.

Para quem vive na capital, frequentar o Café pode ser um passeio diferente. A pegada é meio hardcore, bad boy. Todos os atendentes usam roupas pretas com uma caveira bordada, para mostrar que somos todos iguais. “O Café mostra que é possível uma pessoa com deficiência ter autonomia e crescer. Ele tem sido um verdadeiro sucesso, ponto de encontro de várias tribos. Essa é a inclusão verdadeira. Caravanas do Brasil todo e de fora vêm visitar os meninos”, afirma a dona.

Ao longo de 11 anos de projeto, Simone e André aprenderam muito com os alunos. A fundadora destaca que o principal aprendizado é nunca desistir, apesar dos pesares. “O primeiro passo é necessário, depois as coisas fluem”, defende. Muitas vezes, uma pequena atitude faz a diferença em muitas vidas.

Faça a sua doação para o Instituto Chefs Especiais.