13 de setembro 2017

Caminhada do Privilégio

caminhada do prevelegio (1)
13 setembro 2017

Caminhada do Privilégio

Conheça o jogo que propõe uma reflexão prática sobre desigualdade e meritocracia
Texto por: Debora Stevaux

A "Privilege Walk", que em livre tradução para a língua portuguesa significa "Caminhada do Privilégio", é um jogo criado por membros da Universidade de Michigan, nos EUA. A atividade se tornou popular após ter sido divulgada pela revista norte-americana National Review. Hoje é utilizada como experimento social por muitos educadores para abordar questões relacionadas à desigualdade e pelo que se entende como privilégio.

Por exemplo, se você é mulher, certamente já sentiu medo ao passar sozinha por uma rua erma e escura. Se você é negro, já pode ter sido importunado por algum segurança de loja. Esses fatos tornam praticamente impossível falar de privilégios sem citar o conceito de meritocracia, presente em discussões acaloradas sobre questões socioeconômicas, raciais e de gênero.

Basicamente, é possível definir meritocracia como a distribuição de recursos, principalmente financeiros, seguindo como único critério o desempenho e o 'talento' de cada um. Isto é, de acordo com essa linha de pensamento, ascender socialmente se deve somente ao empenho, esforço e dedicação individual por meio de trabalho e qualificações acadêmicas.

O jogo  é uma maneira de repensar por que as pessoas não são iguais e, consequentemente, entender que as dificuldades que elas enfrentam para ingressar numa faculdade ou ser contratada em um emprego também não são as mesmas.

Além disso, a atividade proporciona um diálogo didático com pessoas irredutíveis que costumam chamar de “mimimi” discussões construtivas ou simplesmente possuem opiniões embasadas em percepções individualistas e às vezes preconceituosas.

Que tal colocar em prática com um grupo de amigos?

Instruções

- Reúna um grupo de 10 a 40 pessoas (quanto maior for o grupo, melhor);

- Use um espaço amplo (de modo que os participantes formem uma linha reta e mantenham a distância de um braço um do outro);

- Peça aos participantes que deem dez passos para trás;

- Então, leia as 18 sentenças abaixo em voz alta:

1. Se você é um homem branco, dê um passo adiante.

2. Se você já pulou uma refeição porque não havia comida em casa, dê um passo para trás.

3. Se você é deficiente físico, visual ou auditivo, dê um passo para trás.

4. Se você nunca se sentiu excluído ou nunca sofreu bullying na escola, dê um passo para frente.

5. Se você cresceu na cidade, dê um passo para frente.

6. Se você tem um plano de saúde particular, dê um passo para frente.

7. Se você acha que a sua religião não é motivo de piada tanto pelos seus amigos quanto pela mídia, dê um passo para frente.

8. Se você já foi vítima de violência física com base em seu gênero, etnia, idade ou orientação sexual, dê um passo para trás.

9. Se você acha que não foi contratado em um emprego por ser mulher, negro, índio, oriental, muito novo ou por ser gay, dê um passo para trás.

10. Se você sabe falar inglês, dê um passo para frente.

11. Se você já se divorciou e foi afetado negativamente por isso, dê um passo para trás.

12. Se a sua família sempre o acolheu e você teve um pai presente, dê um passo à frente.

13. Se você completou o ensino médio, dê um passo adiante.

14. Se você está em uma faculdade ou já terminou o ensino superior, dê um passo à frente.

15. Se você tem um passaporte e já conheceu outros lugares do mundo, dê um passo à frente.

16. Se você já precisou emprestar dinheiro ou não pode fazer algum curso ou faculdade por não ter condições financeiras, dê um passo para trás.

17. Se você estudou em uma escola particular, dê um passo à frente.

18. Se você já se sentiu inseguro andando sozinho à noite, dê um passo para trás.


No final do jogo, proponha um debate com os participantes sentados em roda para saber suas percepções sobre a atividade.