03 de janeiro 2018

Cérebros diferentes: homem x mulher

cerebros diferentes
03 janeiro 2018

Cérebros diferentes: homem x mulher

Pesquisas tentam descobrir as caraterísticas específicas desse órgão em homens e mulheres e como elas explicam comportamentos e aparecimento de doenças
Texto por: Julliane Silveira

Poucas coisas rendem tanta discussão quanto diferenças entre homens e mulheres. Quando o assunto é o cérebro dos dois sexos, então, haja argumento, que muitas vezes é regado a preconceito e pouco embasamento. Até mesmo entre cientistas o tema ainda é um pouco obscuro.

Há tentativas bem ambiciosas, no entanto, para desvendar mistérios e mostrar, de uma vez por todas, como o órgão mais importante do corpo humano atua em cada um dos sexos. Um desses projetos está na Universidade de Edimburgo (Escócia) e é tocado por um time de 18 pesquisadores, que estudam mais de 5.000 cérebros de homens e mulheres entre 44 e 77 anos de idade. Para ter uma ideia da importância desse trabalho, a maioria dos estudos sobre o tema trazem constatações depois de avaliar cerca de cem órgãos.

Por meio de imagens de alta resolução, os cientistas examinaram dimensões e funções de 68 regiões do cérebro, assim como a espessura do córtex cerebral, a camada externa e enrugada do órgãos que é fundamental para consciência, linguagem, memória, percepção, entre outras habilidades.

Depois dos ajustes necessários para a pesquisa, as análises mostraram que as mulherem tendem e apresentar córtex mais espesso do que os homens, uma característica relacionada a resultados mais altos em testes de cognição e inteligência, em geral. Ao mesmo tempo, os homens apresentaram volumes mais altos de outras estruturas, como o hipocampo (relacionado a memória e percepção espacial), amídala (ligada a emoções, memória e tomadas de decisão) e tálamo (que processa informações de outras partes do cérebro).

Ainda é cedo para dizer o que essas diferenças significam na prática, dizem os pesquisadores. Mas é possível afirmar que, entre os homens avaliados, houve mais estruturas que se diferenciaram em volume e espessura. Isso poderia explicar por que os homens apresentam mais diferenças físicas e mentais entre eles, em geral, do que as mulheres.

As diferenças encontradas também podem auxiliar nas pesquisas de doenças neurodegenerativas, como o mal de Alzheimer, mais prevalente entre as mulheres, por causas ainda desconhecidas.

O próximo passo do trabalho será estudar os efeitos da menopausa no cérebro feminino. Como muitas das participantes haviam passado por esse processo, os pesquisadores notaram alterações hormonais significativas, que certamente contribuíram para as diferenças encontradas até o momento.

Depressão

Um outro estudo realizado pela Universidade de Cambridge sugere que a depressão atinge o cérebro de forma distinta em homens e mulheres. Usando imagens de ressonância magnética, os pesquisadores perceberam que estruturas cerebrais diferentes são afetadas quando meninos e meninas ouviram mensagens tristes.

Essas características podem explicar por que homens sofrem consequências mais sérias de um processos depressivo, como tendência ao suicídio e abuso de substâncias como álcool e drogas. Já as mulheres, apesar de ter duas vezes mais chances de desenvolver o transtorno do que eles, manifestam formas menos graves da doença com mais frequência.