18 de julho 2017

Batuqueiros do Silêncio

batuqueiros do silencio
18 julho 2017

Batuqueiros do Silêncio

Pernambucano cria uma metodologia assistiva para incluir pessoas com deficiência auditiva na música
Texto por: Livia Deodato

Batman não tem superpoderes. Diferentemente da maior parte dos super-heróis, ele usa sua inteligência, atributos físicos e outras destrezas para fazer justiça.

Como o homem-morcego dos quadrinhos, o Batman da vida real está fazendo o mesmo, mas a versão pernambucana do super-herói usa a música como seu instrumento para promover a igualdade e a inclusão social. O percussionista Irton Mario, mais conhecido pelo apelido do super-herói, emociona por onde passa com o seu grupo Batuqueiros do Silêncio, formado por jovens surdos que aprenderam a tocar tambores graças a uma metodologia especial criada pelo músico.

Chamada de MusiLibras, a metodologia utiliza um metrônomo visual feito com lâmpadas de cores e tamanhos diferentes, que são acesas de modo a construírem frases rítmicas. O sequenciador eletrônico de quatro canais permite que os músicos com deficiência auditiva aprendam a tocar tambores e emocionar a todos por onde passam. “Eu sempre soube que os surdos tinham musicalidade. A vibração que sentimos ao som dos tambores é a mesma que eles sentem. Só precisei criar uma maneira para que eles pudessem ser os protagonistas dessa história”, conta Batman.

O equipamento foi reconhecido como uma tecnologia assistiva na educação musical brasileira e tem servido como porta de acesso à música para diversas pessoas surdas. “Se todos olharmos com mais amor a nosso redor, vamos enxergar as potencialidades das outras pessoas.” Os Batuqueiros do Silêncio foram convidados a participar de um festival feito por e para surdos em São Francisco, nos Estados Unidos, em agosto. Além de se apresentarem, promovem aulas de música e dança, passando pelo frevo, coco de roda e maracatu.

Versão digital

Batman foi um dos 15 escolhidos entre 432 projetos de inovação social de todo o país para participar do Red Bull Amaphiko Academy. O programa não dá ajuda financeira, mas prevê aos selecionados mentoria e todo o tipo de apoio e assessoria para fazer com que seus projetos decolem. Ainda no processo seletivo, Batman ganhou de presente um aplicativo que transformou a sua metodologia analógica em digital. Também selecionado, o idealizador da plataforma MeViro, Marcos Roberto, encantou-se com o projeto do pernambucano e criou em 40 minutos um programa que faz as vezes do metrônomo analógico visual. Agora, Batman pode levá-lo dentro de um tablet e não precisará mais ter de gastar com excesso de peso na bagagem.

“Eu me emocionei quando vi o que o Marcos tinha criado para o meu grupo. Ele não faz ideia de como nos ajudou.” Para Marcos, que sempre teve facilidade em desenvolver aplicativos e programas digitais, isso não custou nada. “Batman é que é o maker dessa história toda, afinal ele já tinha desenvolvido um método para fazer surdos tocarem tambores. Eu sou programador, trabalho com isso o dia inteiro. Tudo o que fiz foi traduzir isso para o mundo digital”, conta Marcos.

Os Batuqueiros do Silêncio, que se tornaram conhecidos na cerimônia de encerramento dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, agora vão poder ganhar o mundo com sua música feita de sinais sonoros e visuais.