03 de janeiro 2018

Adoção de animais: como fazer certo

Adoção de animais
03 janeiro 2018

Adoção de animais: como fazer certo

Ter um bicho de estimação é um ator de acolhimento e carinho, mas é preciso fazer isso de forma consciente e responsável
Texto por: Camila Luz

Quem acolhe um bichinho de estimação abre as portas de casa para um novo companheiro de vida. Mas, para que a adoção de animais seja feita de forma responsável, é preciso pensar nas consequências e fazer mais do que separar os potinhos de ração e água.

Gatos e cachorros podem viver por 20 anos ou mais. Antes de adotar, o potencial tutor deve estar ciente de que está assumindo um compromisso que irá se estender por um bom período de sua vida. Paula Sampaio, voluntária na ONG Amigos de São Francisco, explica que a organização se preocupa em encontrar um lar definitivo para os animais. Infelizmente, nem sempre é possível garantir a estabilidade dos gatos e cachorros e alguns acabam sendo devolvidos.

“Tivemos um caso muito triste de uma pessoa que adotou um cachorro, ficou três anos com ele e acabou devolvendo pois não tinha mais condições de cuidar”, conta. “Em outro caso, o tutor do animal faleceu e a família não quis cuidar dele. Então o acolhemos de novo”, completa.

O processo para a adoção responsável de animais

Para que as chances de sucesso sejam grandes, todas as pessoas que desejam adotar um bichinho na ONG precisam responder a um questionário. O primeiro passo é entender como será a casa onde irá morar. Gatos, por exemplo, só podem viver em apartamentos telados, pois, do contrário, podem escapar pela janela ou até mesmo cair dela. Quem vive em casa também precisa se certificar de que o ambiente é seguro. Se existirem possíveis rotas de fuga, a adoção pode ficar comprometida.

A presença de outros moradores na casa também é um fator avaliado pela ONG. Todos devem estar dispostos a acolher o animal e a tratá-lo bem. Se o tutor for viajar com frequência, ele já deve planejar o que fará com o gato ou cachorro. Ele irá junto? Será deixado sob a supervisão de alguém de confiança?

Além da estrutura física do ambiente, o tutor deve ter condições financeiras de cuidar do animal. Comprar ração de boa qualidade e levá-lo com regularidade ao veterinário são despesas certas.

O estilo de vida é outro fator que conta na hora de adotar. A ONG tenta traçar o perfil do potencial tutor para entender com qual tipo de animal se daria melhor. Pessoas que passam o dia inteiro fora de casa e não têm tempo para gastar a energia do bichinho podem ter mais dificuldade com filhotes, que demandam muita atenção e gostam de brincar e bagunçar o tempo todo. Já indivíduos que adoram praticar esportes e querem um cachorro que faça companhia quando vão correr no parque ou fazer trilhas na natureza podem escolher cães que tenham esse personalidade.

Paula explica que a ONG geralmente rejeita pedidos de adoção quando o animal será posto em um ambiente restrito, como área de serviço ou quartinho, ou quando a casa apresenta pouca segurança. A organização também dificulta o processo quando percebe que o cachorro irá servir como cão de guarda.

Além de responder ao questionário, o futuro tutor também paga uma taxa de R$100 para a ONG, referente a despesas como vacinação e castração.

As patinhas menos procuradas

Cães mais velhos e de cor preta são os menos procurados por quem deseja adotar. “Felizmente, os animais com deficiência que passaram pela ONG foram adotados rapidamente”, declara. “Os que ficam parados conosco são os mais velhos, de pelagem preta e porte médio ou grande. Tem gente que até gosta, mas se colocarmos um cachorro branco e peludinho do lado, vão preferi-lo”, completa.

Além disso, há quem procure por cães que se pareçam com cachorros de raça. Quando a ONG recebe cachorrinhos como labradores, shitzus ou poodles, não anuncia por medo de serem adotados por donos de canis clandestinos. O animal só é liberado para pessoas com perfil de adoção responsável.

Como os gatos têm porte menor, tamanho não é um empecilho na hora da adoção. Mas os de pelagem preta também são preteridos aos demais.

A Amigos de São Francisco foi fundada há cinco anos por Gabriela Masson. A organização cuida de 150 animais em um sítio no interior de São Paulo. Para adotar, é possível participar de uma das feirinhas de adoção promovidas pela ONG ou entrar em contato pelo site ou página do Facebook.