05 de fevereiro 2018

A conexão pode nos salvar!

iStock-898384278
05 fevereiro 2018

A conexão pode nos salvar!

Sobre o autor: Nathalia Roberto

Sócia da Kind, empresa que já reuniu mais de 2000 mulheres. Estuda budismo desde de 2015, é professora formada pelo programa CEB (Cultivating Emotional Balance), é interessada no silêncio e em investigar o mundo interno para ajudar mulheres a cultivar mais liberdade.

Texto por: Nathalia Roberto

Sócia da Kind, empresa que já reuniu mais de 2000 mulheres. Estuda budismo desde de 2015, é professora formada pelo programa CEB (Cultivating Emotional Balance), é interessada no silêncio e em investigar o mundo interno para ajudar mulheres a cultivar mais liberdade.

Em novembro fui no retiro de um grande mestre que veio a São Paulo, Tenzin Wangyal Rinpoche. Dentre muitas coisas sábias, ele disse algo que tenho contemplado bastante: quando criamos espaço interno, criamos conexão com nós mesmos e com o outro. 

Nós afetamos o outro. Quando falamos, quando pensamos, quando agimos, quando paramos. Nós sempre afetamos o outro. Mas, muitas vezes, fazemos isso de forma inconsciente. Às vezes nossa mente está tão estreita a ponto de perceber só o nosso próprio mundo, e nos atrapalhamos na tentativa de aliviar esse incômodo. 

Na semana que vem completo 37 anos. Não deveríamos precisar de uma data específica para nos lembrar que o tempo passa rápido, e que, teoricamente, estamos mais perto da morte. Mas, para mim, fazer aniversário ainda é sempre um momento de reflexão. De olhar com mais cuidado para as escolhas, os impulsos pelos quais fomos atravessados nos últimos tempos, para nosso caminho. 

Nessa reflexão mais recente, uma das descobertas mais doídas foi saber o quanto estamos sozinhos. Ninguém vai poder sentir a nossa dor por nós, ninguém vai fazer o caminho por nós, ninguém vai tomar decisões por nós, ninguém vai sentar em silêncio por nós, ninguém vai agir por nós. Mas, se olharmos com um pouco mais de cuidado, podemos também perceber que estamos o tempo todo sendo apoiados por muitos seres. 

Neste mesmo retiro, Tenzin Wangyal falou sobre como a felicidade pode surgir da nossa habilidade de abrir o coração. Atravessar para muito longe a fronteira da nossa família, nossos amores, os amigos mais próximos, os filhos... E expandir nossa mente a ponto de acomodar todos os seres e experiências. 

Nós sofremos de estreiteza. Imagine como seriam nossas vidas se pudéssemos abrir espaço para muitos e muitos seres? Se a nossa alegria brotar só de ver o outro florescer, se sentarmos em silêncio para oferecer ao mundo uma mente mais lúcida, se falarmos um basta para nossos pensamentos discursivos só para ouvir a dor do outro. Dá pra ficar feliz só de imaginar isso. 

Em setembro, no final de uma viagem à Itália, comprei, junto com duas grandes amigas, um anel no qual está escrito o mantra da compaixão. Eu ainda sofria os resquícios de dor do término de um namoro e do medo de ficar “afetivamente” sozinha. Olhar para ele me fez lembrar de um texto do Gustavo Gitti cujo título é ‘Estamos casados com todo mundo’. 

Talvez esse seja o melhor presente que podemos dar a nós mesmos, não só no mês de aniversário: nos lembrar, todos os dias, de encontrar formas de ajudar nossos corações a crescerem. E criar alianças que possam ir além dos nossos mundos mais estreitos. Neste espaço, não deve existir solidão.